Eleitor ‘independente’ e jovens puxam nome do Avante, que subiu oito pontos e chegou a 10% na pesquisa divulgada nesta quarta-feira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury lideram disputa presidencial na última pesquisa Quaest. — Foto: Cristiano Mariz / Brenno Carvalho / Ana Branco - Agência Globo A primeira pesquisa Quaest depois do início da propaganda eleitoral, contratada pelo GLOBO e a TV Globo, atestou a ascensão do escritor Augusto Cury (Avante), que cresceu oito pontos em pouco mais de duas semanas e se consolidou na terceira colocação com 10%. Quem impulsionou o psiquiatra na corrida presidencial foi o eleitorado chamado de “independente” — aquele que não se diz nem lulista, nem bolsonarista, tampouco de esquerda ou de direita. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 37%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), 30%. Na projeção de segundo turno entre os dois, o petista viu a vantagem, que chegou a ser de oito pontos em julho, cair para um: 42% a 41%. Há, portanto, empate técnico. A piora do presidente coincide com as novas frentes de investigação envolvendo o filho mais velho, Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha. O melhor resultado do petista este ano foi justamente há dois meses, quando o adversário enfrentava uma crise com a madrasta Michelle Bolsonaro. Apesar de a comparação não ser perfeita, dado que a pesquisa anterior tinha Leonardo Avalanche como candidato do PRTB e a atual tem Pablo Marçal, as oscilações entre o levantamento divulgado em 14 de agosto e o de ontem mostram que Cury cresceu enquanto todos os outros oscilaram para baixo. A maior variação foi a de Ronaldo Caiado, de 4% para 1%. Lula e Flávio oscilaram um ponto cada, assim como Renan Santos (Missão), que agora pontua 3%, e Romeu Zema (Novo), que se igualou em 1% com Caiado e Marçal. Condenado à inelegibilidade por causa do uso indevido dos meios de comunicação em 2024, o presidenciável tem a candidatura questionada na Justiça. Fora da polarização A nova pesquisa foi a primeira a testar o cenário de segundo turno entre Lula e Cury. Se o embate fosse hoje, o escritor teria 34%, ante 40% de Lula. No primeiro turno, a ascensão do escritor, que viveu nas últimas semanas um boom nas redes sociais — com direito a mais de 2 milhões de novos seguidores, o que adversários alegam ser artificiais —, deu-se com base nos eleitores independentes. Ele chega a ficar numericamente à frente de Lula no segmento, com 24%. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, os 21% do petista configuram empate técnico. Flávio tem apenas 9%. Outro desempenho de destaque do candidato do Avante é entre os jovens, que dão a ele 14%. — Cury tem um eleitorado jovem, independente e de ensino superior. É um eleitor que encontrou nele uma forma de fugir da polarização. Não é o preferido nem da esquerda nem da direita, mas conseguiu ganhar os independentes — aponta o diretor da Quaest, Felipe Nunes. — No segundo turno, ganha de Lula entre os independentes por 36% a 28%. Entre os principais candidatos, Cury também é o de menor rejeição. Apenas 25% conhecem e não votariam no escritor. Renan registra 28%; Zema, 38%; Caiado, 40%; Lula, 53%; e Flávio, 55%. O psiquiatra, no entanto, ainda é desconhecido para 54%, e outro dado positivo é o de potencial de voto: 21% dos que conhecem o presidenciável do Avante dizem que poderiam votar nele. Os 10% de Cury foram vistos por aliados como sinal de que o escritor conseguiu alcançar o eleitor que foge da polarização entre Lula e Flávio. Eles também argumentam que o resultado demonstra que a curva de crescimento nas redes não tem sido “inflada” de forma artificial. Para os próximos dias, a campanha prevê o foco em refinar a candidatura e melhorar a apresentação das propostas, criticadas após a sabatina da TV Globo. Também serão anunciados nomes para o comando dos ministérios em um eventual governo. Na visão de petistas, a ascensão de Cury evidencia a necessidade de Lula se concentrar cada vez mais no eleitor independente. Por isso, dizem, a performance ruim de Flávio no segmento reforça a estratégia de direcionar críticas ao candidato do PL. O entorno de Flávio chegou a montar um levantamento sobre a trajetória do escritor, com suas declarações e relações políticas. A orientação, contudo, é evitar ataques por enquanto para não dar mais visibilidade ao adversário, cujo crescimento tem prejudicado mais os outros presidenciáveis. No PL, aposta-se ainda nos atos de 7 de Setembro para pressionar o ministro Alexandre de Moraes, alvo de novas revelações do caso Master. Enquanto isso, Caiado conta com a propaganda na TV para se vender como o mais experiente e tentar recuperar o espaço perdido. Zema pretende martelar a pauta contra os “intocáveis” da República, na esteira do Master. Já Renan partirá para o ataque contra Cury, que nada na raia dos outsiders e acaba prejudicando o candidato do Missão. Popularidade em queda Há meses estável ou oscilando dentro da margem de erro, a aprovação ao governo Lula registra o pior saldo desde abril, com três pontos negativos: 48% a 45%. Em comparação com a última pesquisa, houve apenas variação de um ponto para baixo na aprovação. As palavras-chave desta campanha são engajamento e mobilização, afirma Felipe Nunes. Dados indicam que o eleitorado ainda está pouco interessado na disputa. Segundo o cientista político, os números são especialmente preocupantes para Flávio, que não cativa a própria direita. Isso fica evidente, observa Nunes, em uma pergunta inédita do questionário do instituto. O presidente Lula é considerado um candidato melhor dentro das opções da esquerda do que Flávio no cardápio da direita. Para 49% dos entrevistados, o petista desponta como a opção ideal. Em relação ao filho de Jair Bolsonaro no campo político oposto, o percentual é de 33%. — É uma eleição em que o engajamento do eleitor da direita parece estar abaixo do engajamento do eleitor de Lula. Isso impacta a abstenção, que historicamente é um problema para Lula. Essa é a novidade — diz. Chama atenção a leitura desse dado pelo recorte de posicionamento político. Na esquerda não lulista, o presidente é classificado por 79% como o ideal. Na direita não bolsonarista, apenas 50% colocam o filho de Jair Bolsonaro nessa posição. — A aprovação ao governo está caindo, a competitividade está diminuindo em relação a Flávio, mas Lula mantém a base firme. No caso de Flávio, a discussão é que o eleitor da direita está dizendo que vota nele mesmo estando desanimado. A dúvida é se esse povo vai comparecer e de fato votar — avalia. — É, para mim, uma eleição em que a mobilização vai explicar mais que a razão. Na pesquisa, apenas 37% se dizem muito interessados na eleição; 40% estão pouco interessados, e 22% nada interessados. A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre 30 de agosto e 1º de setembro. O nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa na Justiça é BR-07065/2026. (Com Júlia Cople, Mayra Castro, Luis Felipe Azevedo, Esther gama e Kaio Magalhães)