Lula, Flavio Bolsonaro e Augusto Cury, candidatos a presidente — Foto: Fotos: Divulgação A primeira pesquisa Quaest realizada depois do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV mostra o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 37% das intenções de voto no primeiro turno, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 30%. O candidato Augusto Cury (Avante) avançou sobre os eleitores independentes, cresceu de 2% para 10% em duas semanas e está em terceiro lugar, descolado dos demais postulantes. Na simulação de segundo turno, Lula e Flávio aparecem em empate técnico. O petista está numericamente à frente, com 42% ante 41% do senador. A Quaest mostra o acirramento da disputa, com a redução da distância entre os dois candidatos. No levantamento anterior, de 14 de agosto, Lula tinha 43% e Flávio, 40%. Há menos de dois meses, Lula tinha vantagem de oito pontos percentuais, na pesquisa de 15 de julho. 1º turno A Quaest fez duas simulações de primeiro turno: com e sem a presença do candidato Pablo Marçal (PRTB). Condenado à inelegibilidade por uso indevido dos meios de comunicação nas eleições de 2024, Marçal foi lançado à Presidência pelo PRTB, mas tem a candidatura questionada na Justiça Eleitoral e está proibido de fazer campanha. No cenário com Marçal, Renan Santos (Missão) aparece com 3%. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Marçal têm 1% cada. Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), Wilson Grassi (Democrata), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram. Eleitores indecisos somam 10% e votos em branco, nulo e eleitores que não vão votar, 7%. O cenário sem Marçal não tem grandes alterações: Lula aparece com 37%, Flávio com 29% e Cury com 10%. Descolado dos líderes, Renan Santos tem 3%. Caiado, Zema e Samara marcaram 1% cada. Os demais postulantes não pontuaram neste cenário. Eleitores indecisos são 11% e votos em branco, nulo e quem não vai votar, 7%. Como os cenários são diferentes da rodada anterior da pesquisa não é possível fazer uma comparação exata— no levantamento , de 14 de agosto, o candidato do PRTB era Leonardo Avalanche, atual vice de Marçal e que não havia pontuado. No entanto, é possível ver que o salto dado por Cury foi acompanhado da desidratação de Caiado, Zema e Santos, dificultando a viabilidade desses candidatos. A diferença entre Lula e Flávio no primeiro turno manteve-se em sete pontos percentuais, em relação a pesquisa anterior. O presidente tinha 38% e o senador, 31%. Cury passou de 2% para 10%. Caiado estava com 4% e caiu para 1%. Zema tinha 2% e foi para 1%. Renan Santos passou de 4% para 3%. O potencial de voto de Cury — eleitores que dizem conhecer o candidato e poderiam votar nele — cresceu de 10% para 21%. O crescimento de Cury foi puxado no primeiro turno pelos eleitores independentes, que não se declaram nem de direita, nem de esquerda. Nesse grupo, 24% têm intenção de votar no candidato. Antes, eram 4%. Ainda entre os independentes, Lula permaneceu com 23% e Flávio caiu de 16% para 11%. Os eleitores independentes são vistos como decisivos nesta disputa. A pesquisa mostra que ainda há um alto nível de desconhecimento sobre Cury entre os independentes: 65% afirmam não conhecê-lo; 18% conhecem e poderiam votar nele, e 17% conhecem, mas não votariam. Entre os eleitores que se identificam de direita e que não são bolsonaristas, e entre os que são de esquerda e não são lulistas, Cury tem 6% em cada segmento. CEO da Quaest e professor da FGV, o cientista político Felipe Nunes destacou, em publicação na rede social X, que a maior dificuldade de Cury neste momento é entre os eleitores com mais de 60 anos. O candidato, no entanto, vai melhor entre os mais jovens, que têm participação maior nas redes sociais. No recorte por idade, Lula lidera entre os eleitores com mais de 60 anos e tem 45%, seguido por Flávio, com 26% e Cury, com apenas 4%. Já entre os mais jovens, com idade entre 16 e 34 anos, Flávio tem 33%, empatado com Lula, com 30% e Cury aparece com 14%. No eleitor com idade entre 35 e 59 anos, o cenário é semelhante ao geral: o presidente tem 38%, o senador, 30% e o candidato do Avante, 11%. “A melhor evidência que a pesquisa tem para ajudar a explicar esse movimento de Cury é seu nível de exposição nacional na última semana”, afirmou Nunes, no X. O desconhecimento do candidato do Avante caiu de 74% para 54%. Ao mesmo tempo, a rejeição passou de 16% para 25%. 2º turno No segundo turno, Lula tem 42% e Flávio, 41%. Votos em branco, nulo e quem não vai votar são 13% e indecisos, 4%. Na disputa contra Cury, Lula tem 40% e o candidato do Avante, 34%. Votos em branco, nulo e quem não vai votar são 21% e indecisos, 5%. O instituto testou ainda cenários de disputa entre Lula e Renan Santos, Zema e Caiado no segundo turno. Contra Santos, Lula venceria por 43% a 36%. Votos em branco, nulo e quem não vai votar somam 17% e indecisos, 4%. Na disputa contra Zema, o presidente ganharia por 44% a 33%. Votos em branco, nulo e quem não vai votar são 19% e indecisos, 4%. Contra Caiado, Lula venceria por 42% a 37%. Votos em branco, nulo e quem não vai votar são 17% e indecisos, 4%. Maior exposição na TV O levantamento foi feito depois do aumento da exposição dos candidatos na televisão e no rádio. O primeiro debate dos presidenciáveis na TV foi realizado no dia 23. Apenas Cury, Santos e Caiado participaram. A pesquisa captou ainda os efeitos do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, que começou na sexta-feira (28), e da repercussão das sabatinas com os todos os candidatos realizadas pela TV Globo após o Jornal Nacional. O levantamento foi feito também após o avanço das investigações sobre o caso do Banco Master e os inquéritos contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. Rejeição A pesquisa registra que Lula e Flávio têm as maiores rejeições: o senador é rejeitado por 55% e o presidente, por 53%. A rejeição de Lula passou de 50% para 53% em relação à pesquisa de julho. Já a de Flávio foi de 57% para 55%. Cury tem a menor rejeição, de 25%. Caiado é rejeitado por 40%, Zema, por 38% e Santos por 28%. Desaprovação maior do que a aprovação Em meio a uma disputa acirrada, a pesquisa traz mais uma preocupação para Lula. O governo do presidente é desaprovado por 48% dos eleitores e aprovado por 45%; 7% não responderam. O CEO da Quaest destacou que o governo Lula tem um patamar abaixo do que precisa para se reeleger, segundo os modelos de fundamentos políticos: em geral, são reeleitos os governos quem têm aprovação maior do que a desaprovação. Na rodada anterior da pesquisa, 48% desaprovavam a gestão e 46% aprovavam. Nos levantamentos de julho e do início de agosto, a aprovação era de 48%, e a desaprovação de 47%. Entre os independentes, aumentou desde julho a desaprovação do governo, quando estava empatada com a aprovação, de 45%. Agora, a gestão é desaprovada por 52% dos independentes e aprovada por 35%. Felipe Nunes afirmou também que o saldo da avaliação do governo Lula nos últimos dois meses tem ficado abaixo da média histórica dos governos anteriores. “É comum ver governos melhorando a avaliação durante a campanha. Com o governo Lula, isso não está acontecendo”, disse Nunes. “Uma das explicações pode ser a frustração com a economia.” Segundo a pesquisa, apenas 10% sentiram que a renda aumentou mais do que o custo de vida. Os demais entrevistados avaliam que a renda aumentou, mas o custo de vida aumentou mais (21%), ou que a renda aumentou tanto quando o custo de vida (33%) ou ainda que a renda não aumentou (33%). O levantamento foi contratado pelo O Globo e pela Globo e ouviu 2.004 eleitores entre 30 de agosto e 1 de setembro, e está registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-07065/2026. A margem erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.