Passei a semana inteira pensando na roupa certa que eu deveria vestir em um evento sobre envelhecimento e felicidade em um espaço bastante badalado aqui no Rio de Janeiro.

Quando cheguei ao local, as mulheres estavam fosforescentes: sandálias douradas de saltos finos de 12 centímetros, bolsas douradas de grife, cobertas de joias, cabelos arrumados, maquiadas, unhas vermelhas. E eu estava com o meu uniforme de sempre, uma versão feminina de Steve Jobs: legging preta, tênis preto, camiseta preta, casaquinho preto, mochila preta, óculos escuros, coque e sem maquiagem. Quase invisível. Do meu jeitinho...

Para minha surpresa, aconteceu uma coisa que eu nunca havia experimentado antes nesses ambientes: eu não me senti um "peixe fora d’água" nem por um segundo. Eu estava muito confortável e confiante. Do meu jeitinho...

Comecei o debate falando durante três minutos sobre as minhas pesquisas, como foi combinado com a mediadora.

O segundo convidado falou durante 25 minutos, criticando tudo o que eu havia falado sobre envelhecimento e felicidade. Disse que não adiantava nada eu ter três pós-doutorados, estudar e pesquisar tanto, se eu não sabia como ser feliz. Afirmou que empregadas domésticas sem nenhum estudo sabiam muito mais sobre felicidade do que eu.