O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, reuniu aliados e apoiadores na avenida Paulista neste 7 de Setembro para um ato contra a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O ato também exprimiu apoio ao ministro André Mendonça, que é relator do caso do Banco Master e está em uma disputa interna contra Moraes. Acampanha do senador esperava a presença de cem mil pessoas, mas o público ficou abaixo de 30 mil, segundo estimativa do Monitor do Debate Político, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento da Universidade de São Paulo (CEBRAP/USP) e da ONG More in Common. Durante o discurso, Flávio distribuiu ataques a Alexandre de Moraes. Chamou o ministro de “laranja podre”, afirmou que é preciso “proteger o STF de Alexandre de Moraes” disse que vai trabalhar para resgatar a credibilidade do Judiciário brasileiro. "Aquela laranja podre não pode contaminar toda a Corte. O Supremo não é Alexandre de Moraes, o Judiciário não é Alexandre de Moraes”, disse. Flávio também tentou colar a imagem de Lula a de Moraes, insinuando a existência de um “consórcio” entre os dois. “Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes. Não vamos permitir que o Lula indique mais quatro Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal. Eu vou indicar mais cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal porque o Alexandre de Moraes vai cair”, afirmou. Flávio também disse que pretende indicar para a Corte homens e mulheres que sejam contra o aborto, contra as drogas, contra a ideologia de gênero e que protejam a Constituição Federal e “não adversários políticos”. “Vou trabalhar para resgatar a credibilidade do Judiciário brasileiro. Temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes”, completou. O candidato também prometeu medidas de segurança pública, como declarar guerra às facções criminosas e enquadrá-las como narcoterroristas, e disse que vai governar mesmo para quem não votar nele. “A minha candidatura é de protesto”, afirmou o senador, repetindo que pretende subir a rampa do Palácio do Planalto junto com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem lembrou algumas vezes durante seu discurso. Flávio subiu no caminhão de som pouco antes das 15h, sob aplausos e gritos dos seguidores. Muitas pessoas do público compareceram de verde e amarelo, mas também foi possível ver na multidão bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, além de imagens do presidente americano, Donald Trump. O ato começou com falas de pedido de impeachment contra Moraes, encampadas pela ex-deputada Bia Kicis (PL), candidata ao Senado pelo Distrito Federal, uma das primeiras a falar no evento. Ela pediu uma investigação contra o ministro e que ele seja preso. Após as falas de Bia, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que "Supremo é o povo brasileiro". "Não dá para ficar assistindo essa bandalheira do INSS e o que está acontecendo no Brasil e não fazer nada", afirmou Nunes, citando endividamento das famílias brasileiras. Também houve pedidos para libertar o ex-presidente Jair Bolsonaro, feito principalmente pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Valdemar disse que se Flávio não for eleito, Jair Bolsonaro passará mais de 10 anos na cadeia. "O Flávio eleito, Bolsonaro estará com a gente no dia seguinte", afirmou. O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) também defendeu a anulação da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, por causa das suspeitas sobre a conduta de Moraes. “Nós vamos libertar essa nação”, discursou ele, acrescentando que Bolsonaro “vai, sim, colocar a faixa” presidencial no peito do filho. Já o candidato a vice-presidente, Alberto Gaspar (PL-AL), discursou ao lado de Flávio e disse que o Brasil “vai enxotar” Lula e Moraes. “Não existe Lula sem Alexandre e não existe Alexandre sem Lula”, afirmou o deputado federal. Também estavam presentes o senador Sergio Moro (PL), que concorre ao governo do Paraná, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição. Ao discursar, Tarcísio disse que "ninguém está acima da lei" e cobrou explicações de Alexandre de Moraes. Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu a prisão do ministro e também fez críticas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Também participaram do ato o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), os candidatos ao Sanado por São Paulo, Guilherme Derrite e André do Prado, o pastor Silas Malafaia e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Não estava presente a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo DF. Segundo Bia Kicis, Michelle só não foi ao ato porque estava cuidando do ex-presidente Jair Bolsonaro. Público ficou abaixo de 30 mil O ato teve a presença de 28,5 mil pessoas, segundo estimativa do Monitor do Debate Político, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento da Universidade de São Paulo (CEBRAP/USP) e da ONG More in Common. A margem de erro é de 12%, ou seja, quer dizer que havia entre 25,1 mil a 32 mil participantes, segundo o instituto. A contagem é feita a partir de fotos aéreas analisadas com software de inteligência artificial, sendo a precisão da metodologia de 72,9% e acurácia de 69,5% na identificação de cada indivíduo. Nos últimos levantamentos feitos pelo projeto em protestos da direita na avenida Paulista, o público foi de 20,4 mil pessoas num ato realizado em março deste ano, com o mote "Acorda, Brasil", e de 42,2 mil pessoas em uma manifestação em defesa de anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro, no 7 de Setembro de 2025. Relações de Flávio e Vorcaro também são investigadas Em meio à escalada da crise no STF e à subida de tom contra Moraes, o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), procurou o ministro Gilmar Mendes na última semana para sinalizar a intenção de manter relações institucionais com a Corte, diante da hipótese de Flávio se eleger. "Temos todo o interesse de manter a relação institucional e queremos a compreensão do ministro de que iremos cobrar a Suprema Corte, mas o tribunal não é nosso adversário", afirmou Marinho ao Valor. Flávio também teve o nome citado no contexto das investigações do Master, após virem à tona gravações de conversas suas com Daniel Vorcaro, em que pede dinheiro ao ex-banqueiro para custear o filme sobre seu pai, "Dark Horse". O senador prometeu prestar contas do uso dos valores, o que ainda não ocorreu. Há uma investigação em andamento no STF para apurar suspeita de uso de emenda parlamentar na produção e também procedimentos na Polícia Civil de São Paulo envolvendo a produtora do filme.
Flávio Bolsonaro reúne apoiadores em ato na Paulista contra Lula e Moraes
Manifestação também exprime apoio ao ministro André Mendonça, que trava um embate com Moraes no STF












