Com a barba curta desenhada, gel no cabelo e sem gravata, Ulrich Siegmund sorri de forma impaciente cada vez que é interrompido por Marietta Slomka, principal apresentadora da ZDF, uma das emissoras públicas da Alemanha, as principais do país. O político da AfD é o grande vencedor da eleição em Saxônia-Anhalt e está ao vivo no telejornal da noite.

"O que eu sempre disse é que não queremos nos comprometer, que não queremos abrir mão de nossos próprios princípios e valores por jogadas de poder, como muitos partidos vêm fazendo há anos", diz o parlamentar antes de ser interrompido.

"Vamos tentar esclarecer um pouco isso", afirma Slomka, claramente buscando deter a verborragia do candidato, próximo de formar o primeiro governo de extrema direita da Alemanha no pós-guerra, ou desde o Partido Nazista de Adolf Hitler.

"O senhor queria uma maioria absoluta e, acima de tudo, um governo estável. Como seria, então, isso? Com quem? De que maneira?"

"Preciso me repetir…", diz Siegmund. E ele repete: não quer ser como os outros partidos, como a CDU, do primeiro-ministro Friedrich Merz, "que, logo após cada eleição, faz exatamente o contrário do que prometeu antes da votação".