Preferências por pés, couro, látex e práticas como BDSM fazem parte de um universo diverso de desejos; especialista explica como entender esses interesses com respeito e consentimento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Dia do Sexo: por que algumas preferências sexuais despertam tanta curiosidade? — Foto: Magnific Fetiches costumam pertencer à esfera da intimidade, mas algumas celebridades já escolheram falar publicamente sobre suas preferências. No Dia do Sexo, celebrado em 6 de setembro, essas declarações ajudam a colocar em perspectiva a diversidade da sexualidade e a mostrar que fantasias e interesses específicos não estão restritos a um determinado perfil de pessoa. Quais são os fetiches mais inusitados e ousados pedidos a influenciadores? Lista surpreendeDez famosas brasileiras entram em ranking dos pés mais bonitos; veja quem está no topo Um dos casos mais conhecidos é o de Ricky Martin. Em entrevista à "GQ", o cantor contou que sente atração por pés e que gosta de observá-los. Mais recentemente, Jason Biggs, conhecido pelo papel em "American Pie", também falou sobre a preferência. Durante uma participação no podcast "Thanks Dad", o ator disse considerar a região sensual. O modelo e ator Tyson Beckford também já falou publicamente sobre o assunto. No programa Watch What Happens Live, contou que tem fetiche por pés durante uma conversa sobre relacionamentos e preferências pessoais. Para Heitor Werneck, produtor cultural e uma das referências brasileiras quando o tema é fetichismo, a atração por pés representa apenas uma possibilidade entre muitas dentro desse universo. "Quando uma pessoa famosa fala sobre um fetiche, isso naturalmente provoca repercussão, mas também ajuda a mostrar que desejo não segue profissão, fama, idade ou padrão social. Fetiche não é uma coisa que pertence a um grupo específico. Existem pessoas interessadas em pés, couro, látex, dominação, submissão, bondage, voyeurismo e inúmeras outras possibilidades. O mais importante é entender o próprio desejo, respeitar limites e, quando ele envolve outra pessoa, existir consentimento", explica. BDSM, pés, couro e látex despertam curiosidade A experiência de Heitor está ligada há décadas à cena fetichista. Em entrevistas anteriores, ele já citou BDSM e a atração por pés entre as práticas presentes nesse meio. Materiais como couro, vinil e látex também aparecem associados à estética fetichista. A curiosidade, segundo ele, pode ser uma das portas de entrada para o tema, mas não significa necessariamente vontade de experimentar determinada prática. "Existe muita gente que chega primeiro pela curiosidade. Às vezes viu alguma coisa em um filme, ouviu uma celebridade falar ou descobriu determinado fetiche nas redes sociais. Isso não significa que necessariamente queira praticar. Fantasiar, observar, gostar da estética e efetivamente experimentar são coisas diferentes. O autoconhecimento também passa por compreender essas diferenças", afirma Heitor. Luxúria completa 20 anos em 2026 Heitor também acompanha de perto as transformações na maneira como o assunto é tratado no Brasil. Criado por ele em 2006, o Projeto Luxúria completa 20 anos e terá uma edição comemorativa em 19 de setembro, em São Paulo. Ao longo de duas décadas, o evento reuniu cultura fetichista, BDSM, moda, performances, música e comportamento. O respeito aos limites e o consentimento entre adultos aparecem como princípios centrais da proposta. "Quando comecei o Luxúria, falar sobre fetiche publicamente era muito mais difícil. Existia um preconceito enorme e muita gente vivia seus desejos escondida. Vinte anos depois, percebo uma geração muito mais interessada em perguntar, pesquisar e entender. Ainda temos tabus, mas hoje existe muito mais espaço para falar sobre sexualidade sem transformar automaticamente o diferente em algo errado", comenta. A longevidade do projeto também acompanha essa mudança de perspectiva. Ao longo dos anos, o Luxúria se consolidou como um dos espaços conhecidos da cena fetichista brasileira e já foi descrito como pioneiro no país. Para Heitor, o Dia do Sexo pode ser uma oportunidade para ampliar a conversa sobre o tema sem transformar preferências pessoais em padrões ou julgamentos. "Não existe uma lista de fetiches que determine o que é normal. O desejo humano é diverso. Quando estamos falando de adultos, o que precisa estar no centro dessa conversa é informação, respeito, segurança, limites e consentimento. Quanto menos tabu existe, mais condições as pessoas têm de compreender os próprios desejos com responsabilidade", conclui.