Caiado e Cury exploram escândalos em campanhas, buscando se distanciar de Lula e Flávio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Flávio Bolsonaro — Foto: Agência Brasil e Agência Senado As propagandas de TV de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no horário eleitoral gratuito, exibidas na tarde deste sábado (5), foram marcadas por trocas de ataques, em meio à apresentação de propostas. A campanha do presidente e candidato à reeleição repetiu mensagens que buscam associar a família Bolsonaro a desrespeito com mulheres, enquanto o adversário explorou uma declaração recente de Lula sobre a profissão de gari, que tem sido usada nas redes sociais para desgastar o petista. Exibida antes da de Lula, a propaganda de Flávio repetiu uma gravação feita pelo candidato em meio às prateleiras de um supermercado, na qual critica a inflação no país, aponta a redução do conteúdo em embalagens de alguns produtos e relaciona o endividamento das famílias à política fiscal do governo Lula. Ele disse ser "um sinal de que o Brasil faliu" existirem pessoas parcelando a compra de alimentos. Flávio prometeu que, se eleito, "ao contrário do atual governo", vai cortar impostos, o que levará a uma redução dos preços, e trabalhará pela queda da taxa de juros. "Menos imposto gera mais produção. Preços caem. A economia reage. Gera mais empregos, o consumo aumenta, e o governo arrecada mais taxando menos", disse, acrescentando que o atual governo é "um peso" que o cidadão está carregando. O bloco do candidato do PL terminou mostrando trecho de um discurso de Lula, durante ato de campanha no sábado passado (29) em Belo Horizonte, no qual ele afirma que recolher o lixo das cidades seria uma "profissão muito pobre" e que não "dá orgulho" para o trabalhador. O PT reagiu ao uso por bolsonaristas de partes dessa fala nas redes sociais, afirmando que houve deturpação e que ela foi tirada de contexto. "Eu vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho. 'Eu sou lixeiro.' O cara tem orgulho de falar: 'Eu sou engenheiro, eu sou médico'", diz Lula no trecho recortado pela propaganda de Flávio. Na sequência da fala, em Belo Horizonte, o presidente afirmou que "lixeiro é uma coisa pobre, de quem não pode estudar". O programa do PL exibiu ainda depoimentos de pessoas criticando a fala, classificando-a como "ofensiva", "lamentável" e "péssima". Flávio já havia repudiado a declaração do rival, dizendo que ele quis "humilhar os garis". Na ocasião, Lula falava sobre o potencial que uma pessoa pode alcançar quando ela tem a devida oportunidade e abordava o contexto da invisibilidade de determinados trabalhos pela sociedade. No programa de Lula, os acenos ao eleitorado feminino foram o principal tema. Na abertura, o PT associou Flávio a falas machistas do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e estimulou o espectador a pensar sobre "que país quer para suas filhas". A peça mostrou episódios em que o ex-presidente faz declarações machistas e destrata deputadas e jornalistas, no decorrer de sua trajetória política. Nos segundos finais, uma atriz disse que é preciso conhecer bem o passado de um candidato. Ela afirmou que Flávio "cresceu em uma família preconceituosa" e questionou sua capacidade de "defender as mulheres". O programa destacou ainda medidas de Lula voltadas às mulheres e abriu espaço para participação da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja. O tom foi o de que o atual governo trabalha pela "vida das mulheres", em resposta à demanda por medidas de segurança pública e contra os feminicídios, além de colocar as mulheres "no centro" de suas principais políticas públicas. Caiado e Cury O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, levou o caso do Banco Master e os últimos acontecimentos no Supremo Tribunal Federal (STF) ao seu programa, numa tentativa de associar Lula e Flávio aos problemas e de se apresentar como uma alternativa diferente das demais. "A banda podre que comanda o país há 20 anos está corroendo o Brasil por dentro. E agora essa denúncia gravíssima, estarrecedora, na Suprema Corte", disse o ex-governador de Goiás. "Tem escândalo na Presidência, no Congresso, e mais esse no Supremo. O que está acontecendo? Que contratos são esses? Que relações são essas? Nós temos direito a explicações. Lula e Flávio não vão dar essas respostas. Eles também têm que se explicar", completou. Outro trecho da propaganda de Caiado reforçou o apelo para que o eleitor pesquise o passado dos candidatos. Enquanto exibia fotos de Lula e Flávio acompanhadas de manchetes sobre escândalos e denúncias, o anúncio propôs que as pessoas se perguntem "quem são esses caras" verdadeiramente, "fora da propaganda e do discurso barato". Entre as notícias mostradas, havia os casos do empresário Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente sobre o qual pesam suspeitas de tráfico de influência, e do senador Jaques Wagner (PT-BA), que teve seu nome associado ao caso Master e precisou deixar a liderança do governo no Senado. Já Flávio foi vinculado à investigação sobre venda de joias no governo Bolsonaro e à apuração de "rachadinha" em seu gabinete, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. Uma locutora, então, associou os dois líderes das pesquisas a expressões como "esquema", "história mal contada", "pacto com bandido" e "dinheiro sujo", para, ao fim, apresentar Caiado como um candidato sem histórico de problemas e com passado conhecido. O presidenciável também sugeriu que o espectador "dê um Google" em seu nome para conhecer sua trajetória, antes de decidir em quem votar. O candidato do Avante, Augusto Cury, que completa a lista de quatro candidatos à Presidência com direito a tempo no horário eleitoral neste ano, estreou um novo anúncio, em substituição ao que vinha sendo exibido desde o início. Ele aparece em cenas gravadas na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, ao som de uma adaptação da música "Rap da Felicidade", e reforça a mensagem de que deseja "escutar" os eleitores. "Eu não vim aqui fazer política, pedir votos. Eu vim aqui para escutar vocês, de todo o coração", diz Cury, em meio a cenas de uma roda de conversa com moradores, em um mirante conhecido como laje Porta do Céu, que se tornou popular nas redes sociais. "Eu só quero é ser feliz/ junto com Augusto Cury/ presidente do Brasil", diz a letra do jingle, reforçando a imagem de candidato "anti-polarização". Cury, que tem 35 segundos de propaganda, também aborda na peça seu projeto que prevê a criação de 10 mil "clubes de empreendedorismo", mirando sobretudo os jovens. Ao lado de moradores da Rocinha, ele afirma que a comunidade precisa ter uma dessas escolas e também um "banco do empreendedor", para facilitar o acesso ao crédito.
Campanhas de Lula e Flávio trocam ataques, e Caiado leva STF e Master ao horário eleitoral
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