A moral é um troço esquisito. Ela é a bússola social que nos permite apreender os valores compartilhados da comunidade, introjetá-los e moldar nosso comportamento de modo a tornar a convivência possível. Sem ela, dificilmente teríamos conseguido viver em grupos de mais de seis pessoas. Mas, ao nos fazer reagir de modo visceral ao que julgamos ser violações sociais, não nos deixa muita margem para negociação política.

"Moral Economics", de Alvin Roth, é um livro delicioso que ilustra com perfeição esse tipo de dilema. Roth, Nobel de Economia de 2012, mostra que grande parte das controvérsias de nosso tempo é resultado do fato de que pessoas estão dispostas a praticar ações ou transações que são vistas como repugnantes (imorais) por uma parcela de seus conterrâneos. É o caso do aborto ou do uso de drogas para recreação.

Há uma categoria ainda mais intrigante de atividades que a maioria aceita bem, mas que se tornam controversas se envolverem trocas monetárias. É aí que entram prostituição, barriga de aluguel e comercialização de órgãos. Roth vai a fundo nesses e em outros problemas. Descreve implicações que nem imaginávamos existir. Como diferentes países têm diferentes tolerâncias e regulamentações, surgem alguns experimentos naturais que nos permitem ver essas questões com ao menos um fiapo de objetividade.