Falar sobre maternidade costuma envolver diversos desafios, como noites maldormidas, excesso de tarefas e a necessidade de conciliar diferentes responsabilidades. Para mulheres neurodivergentes, porém, algumas dessas situações podem ser ainda mais intensas, pois características relacionadas ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem influenciar a maneira como elas lidam com estímulos, organização, rotina e demandas emocionais.

Segundo a pediatra Marli Rio, que atua há mais de 30 anos na área, ainda existe pouca discussão sobre mulheres que são mães e também são neurodivergentes. “Hoje se fala bastante sobre mães de crianças neurodivergentes, mas quase ninguém fala sobre a mulher que é mãe e também é neurodivergente”, observa.

A seguir, a especialista explica alguns desafios que podem fazer parte da experiência dessas mulheres.

Algumas mulheres autistas apresentam hipersensibilidade a sons, toques, cheiros ou outras sensações. Na maternidade, a exposição frequente a choros, gritos e contato físico pode provocar uma sobrecarga difícil de administrar.

A amamentação, por exemplo, pode ser desconfortável para mulheres que apresentam hipersensibilidade ao toque. Da mesma forma, o choro frequente do bebê pode ser especialmente intenso para quem possui sensibilidade auditiva. “Isso não significa rejeição ou falta de amor. Significa que o organismo daquela mulher percebe e processa esses estímulos de uma maneira diferente”, explica Marli Rio.