As mortes recentes de Gabriel Ganley, Mailson Araújo e Dwayne Quamina por cardiopatias alertam usuários de anabolizantes para fins estéticos. Essa mudança foi sentida por Clayton Macedo, diretor da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e coordenador do programa "Saindo do Suco", do Núcleo de Endocrinologia da Disciplina de Medicina Esportiva da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp).
Clayton diz que as mortes fazem repensar o uso dessas substâncias. A maioria busca tratamento por medo de efeitos colaterais ou por incentivo de pessoas próximas. Gratuita e anônima, a iniciativa multiprofissional atende 140 pessoas e tem mais de 200 na fila.
Para Paulo Muzy, médico e fisiculturista, esse tipo de projeto não deve reforçar preconceitos nem falar só entre pares, sob risco de ineficácia. O acolhimento profissional é essencial.
"A pessoa usa o esteroide na esperança de se conectar consigo, mas, sob o transtorno dismórfico, essa ideia de si é uma fantasia", diz, já que a distorção da autoimagem é uma possibilidade na busca por um físico irreal associada a predisposições. "Além de o consumo de anabolizantes piorar a saúde de forma evidente, os medicamentos sozinhos não produzem resultado", explica.







