A comoção diante da morte do jovem influencer Gabriel Ganley traz nova oportunidade para esclarecer algumas falácias que cercam o tema.
Dias antes do óbito, o também influencer Rodrigo Goés comentou a respeito de Gabriel: "Esses jovens estão utilizando doses altas de anabolizantes. O que eles não podem negligenciar é o acompanhamento médico". A crença num uso seguro com supervisão é compartilhada pelo astro Ramon Dino, que orienta iniciantes a procurar "um médico, um profissional para indicar a dosagem certa e o que usar".
James Magnussen, medalhista olímpico e hoje competidor dos Enhanced Games –evento promotor do doping–, é outro a confiar no monitoramento: "Se houvesse implicações de longo prazo para minha saúde, certamente haveria alguns indicadores de curto a médio prazo que apontariam: ‘ei, isso não vai bem, você está tendo efeitos colaterais’. Até o momento, não vimos nada disso."
A ideia subjacente de que anabolizantes só fazem mal na ausência de acompanhamento médico merece ser questionada.
Em quantidades fisiológicas, anabolizantes pouco afetam o desempenho e os músculos em pessoas saudáveis. Para produzir os ganhos almejados por fisiculturistas, são necessárias doses elevadas. Nesse caso, porém, os eventos adversos vêm a reboque. É bem conhecida a longa lista desses efeitos. Morte súbita, da qual Gabriel foi vítima, é um deles.







