Durante os 17 anos em que o filho foi policial militar, Olga Alice Fernandes da Silva, 79, acostumou-se a rezar para que ele voltasse vivo para casa. Jamais poderia imaginar, conta ela, que seu caçula seria morto a tiros dentro de um quartel da Polícia Militar de São Paulo, enquanto estava deitado no próprio beliche.

"Eu pensava que pudesse acontecer alguma coisa na rua. Nunca imaginei que pudesse acontecer isso dentro do quartel. Eu nem pensava que uma pessoa que estava lá, um amigo de farda, faria isso", disse a aposentada, moradora de Franca, no interior de SP.

Olga é mãe do sargento Rulian Ricardo Adrião da Silva, 40, morto em abril de 2023 dentro de uma unidade da PM no Jardim Santa Emília, na região do Ipiranga, zona sul.

A morte causou indignação entre familiares e amigos do policial e, conforme policiais ouvidos pela Folha, também revoltou parte da tropa –colegas que não conheciam o sargento pessoalmente, mas tiveram acesso a detalhes de sua morte.

O julgamento desse caso está marcado para 15 de setembro na 4ª Auditoria Militar Estadual, primeira instância da Justiça Militar paulista. Como a vítima e os autores são policiais militares e a acusação é de crime militar, o caso não será submetido ao Tribunal do Júri. Os réus serão julgados por um Conselho de Justiça, formado por um juiz de direito e quatro oficiais da PM.