Os brasileiros mais ricos passaram a concentrar uma fatia recorde da renda nacional sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo dados extraídos de declarações de IR (Imposto de Renda), oferecendo um contraponto marcante ao esforço do líder de esquerda em convencer os eleitores de que os ganhos econômicos foram amplamente distribuídos durante sua administração, enquanto busca a reeleição em outubro.
Lula tem apontado a queda da desigualdade, medida por um coeficiente de Gini —índice que mede a desigualdade de renda de um país— que atingiu o menor nível da série histórica em 2024, e a alta do emprego como evidências de que sua administração prioriza os brasileiros mais pobres.
Os dados tributários, porém, pintam um quadro mais complexo: juros elevados, em parte consequência do aumento dos gastos públicos, alimentaram um boom da renda financeira que beneficiou de forma desproporcional os mais ricos, mesmo enquanto um mercado de trabalho mais forte, ganhos salariais reais e programas sociais robustecidos melhoraram as condições na base da distribuição de renda."Se os benefícios concedidos pelo governo, por um lado, forem de fato bem direcionados, eles podem ter um efeito social positivo", disse Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial. "Mas, por outro lado, a aritmética do endividamento não tem como ser contornada: ela joga na outra direção."








