Pesquisa Ipsos para o Fundo Global para uma Nova Economia mostra convergências, embora haja discordâncias sobre teto de gastos e taxação de grandes fortunas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 PA - Brasília, DF. 11/06/2026. Presidente Lula e Ministros do Governo participam da Cerimônia de entregas do Programa Imóvel da Gente no Palácio do Planalto. — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo. A despeito da divisão eleitoral, pautas econômicas específicas criam convergências entre quem aprova e aqueles que desaprovam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Dados de uma pesquisa feita pelo Ipsos para o Fundo Global para uma Nova Economia (GFNE, na sigla em inglês) apontam o fim da escala 6x1, a isenção do imposto de renda e visões sobre juros, dívidas e papel do Estado como capazes de forjar maiorias em ambos os grupos. Outros temas, no entanto, registram diferenças nítidas. É o caso da taxação de grandes fortunas e do teto de gastos, que têm maior adesão no bloco dos que reprovam o governo. — A pesquisa é extremamente rica e reveladora ao mostrar que alguns temas escapam à polarização política e que o brasileiro pode combinar posições progressistas na economia com uma surpreendente abertura a novas ideias — afirma Pedro Rossi, economista-chefe do fundo. É comum que o aval a pautas encampadas pelo governo Lula acabe sendo mais significativo no grupo dos que aprovam a gestão, apesar de também ser predominante entre os que desaprovam. O fim da escala 6x1, por exemplo, conta com o apoio de 92% dos simpáticos ao governo, contra 60% no caso dos que rejeitam a administração. A isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, uma das marcas deste mandato de Lula, segue padrão parecido: 87% de apoio no grupo dos pró-governo, 61% no núcleo dos que desaprovam. Outro ponto com números similares é a visão sobre o controle de preços dos combustíveis por parte da Petrobras e do governo em geral. Para 80% dos que aprovam a gestão, é necessário que haja o controle para que eles permaneçam “estáveis e acessíveis”. O percentual também é alto nos que rechaçam Lula: 58%. Já a ideia de taxar grandes fortunas para “financiar investimentos públicos” delimita a diferença. Os 79% pró-Lula que concordam com a ideia são mais que o dobro dos 37% do outro grupo. No caso da visão sobre o teto de gastos, quem avaliza o governo é mais favorável a uma flexibilidade na regra para que se possa “investir em saúde e educação", com 58% concordando; os que reprovam o governo marcam apenas 35%, com maioria a favor de ter limites rigorosos para evitar dívidas. Também participaram do levantamento feito pela Ipsos a Plataforma Cipó e o Transforma, think tank sediado no Instituto de Economia da Unicamp. Segundo a diretora-executiva da CIPÓ, Maiara Folly, o estudo ressalta a visão de que a economia brasileira funciona melhor para os mais ricos. — E mostra que existe respaldo para construir uma nova economia orientada pelas prioridades apontadas pelos brasileiros: saúde e bem-estar, menos dívidas e mais previsibilidade financeira — elenca. O argumento de Folly encontra respaldo em outros dados. Para 58% — 65% no grupo dos pró-governo, 52% no dos refratários —, o sistema econômico do Brasil “beneficia principalmente os ricos e poderosos”. De acordo com Marco Antônio Rocha, diretor-executivo do Transforma Economia, da Unicamp, o resultado indica que a maioria vê um sistema “disfuncional e excludente”, o que também tem mobilizado o eleitorado em outros países. Os preços e o custo de vida (63%), os impostos altos (57%) e o fato de os salários e a renda não darem conta do dia a dia (47%) despontam como principais preocupações dos entrevistados com a economia, aponta pergunta do relatório que permitiu a eles a marcação de até três respostas. O levantamento foi realizado online junto à população de 18 anos ou mais pertencente às classes A, B e C, entre junho e julho de 2026. Houve 2.000 entrevistas.
Fim da 6x1, isenção do IR e visão sobre Estado aproximam quem aprova e quem desaprova governo Lula, indica pesquisa
Pesquisa Ipsos para o Fundo Global para uma Nova Economia mostra convergências, embora haja discordâncias sobre teto de gastos e taxação de grandes fortunas









