Declaração se deu após presidente da Argentina intensificar reinvindicação do país sul-americano pela soberania do arquipélago 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, chega para participar de uma reunião de gabinete após o recesso de verão, na residência oficial de Downing Street, em Londres, no Reino Unido, em 1º de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Toby Melville O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, afirmou nesta sexta-feira que a posição do governo sobre as Ilhas Malvinas é “inabalável”. A declaração ocorreu após o presidente da Argentina, Javier Milei, ter afirmado em pronunciamento na noite de quinta-feira que imporá sanções a empresas de petróleo que atuam no arquipélago, intensificando a reivindicação do país sul-americano pela soberania sobre o território britânico ultramarino. “As ilhas são britânicas e continuarão sendo porque essa é a posição da esmagadora maioria dos moradores”, afirmou no X Miliband. “O direito deles à autodeterminação é primordial, está fundamentado no direito internacional e nós o defenderemos firmemente”, acrescentou. O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, acrescentou que as declarações de Milei refletem “a política interna da Argentina”. Anteriormente, Milei vinha defendendo a diplomacia como a melhor forma de buscar o reconhecimento da reivindicação argentina sobre as Malvinas, mas, com o aumento das atividades de perfuração de petróleo previsto para os próximos meses, ele agora adota um tom mais duro. Outro ponto que deu ao direitista argentino impulso para reivindicar de forma mais incisiva o controle sobre o arquipélago foram as sucessivas sinalizações dadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que mudaria o posicionamento neutro de seu país em relação ao controle das ilhas do Atlântico Sul. Na quinta-feira, por exemplo, Trump disse à GB News que não tinha certeza se o Reino Unido estaria preparado para lutar novamente pelas ilhas. “Eu simplesmente não sei se vocês têm capacidade para fazer isso”, afirmou o chefe da Casa Branca. “As Malvinas são muito interessantes porque o país de vocês não é o mesmo que era há 20 anos, 25 anos.” Uma possível mudança na posição de Washington sobre as Malvinas esteve entre uma série de opções consideradas pelo Pentágono no início deste ano para pressionar aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que, na avaliação americana, não deram apoio às operações militares dos EUA na guerra contra o Irã. Em 1982, a então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, descrita por Milei em 2023 como uma “grande líder”, enviou uma força-tarefa naval ao Atlântico Sul após uma invasão argentina. O Reino Unido retomou o controle das ilhas depois de 74 dias de combates que deixaram mais de 900 mortos. O argentino Giovani Lo Celso segura uma faixa com a frase "As Malvinas são argentinas" ao lado do companheiro Nicolás Otamendi após a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo, na quarta-feira, 15 de julho de 2026, em Atlanta — Foto: AP/Rebecca Blackwell No pronunciamento de quinta-feira, porém, Milei afirmou que o Reino Unido é agora um país “em declínio”. A perspectiva de empresas petrolíferas realizarem atividades de exploração nas ilhas, chamadas de Falklands pelo Reino Unido, representa uma ameaça urgente aos interesses argentinos, afirmou Milei, 44 anos depois de seu país ter sido derrotado pelo Reino Unido em uma guerra pela soberania do território.