Engajar estudantes em textos clássicos de autores como Machado de Assis ou José de Alencar nunca foi tarefa fácil. No caso das gerações nativas digitais, a missão é ainda mais desafiadora, já que crescem e estão imersas em um contexto de sobrecarga informacional.
Nesse cenário, escolas têm apostado em estratégias que colocam os adolescentes no centro das decisões sobre leitura, com clubes do livro, escolhas coletivas de obras e projetos em que os próprios alunos atuam como mediadores literários. A ideia é transformar a leitura em uma experiência compartilhada entre os estudantes.
Anaídes Silva, professora de português da Escola Estadual Paulo Octávio Azevedo, na zona sul da capital paulista, diz que mudou a abordagem em sala de aula para captar a atenção dos adolescentes, cada vez mais dispersos.
"Antigamente, a gente mandava um, dois capítulos para casa e eles liam. Hoje tem muito mais coisa competindo com a atenção deles", afirma. "Eu costumo dizer que, antes de ler, tem que apresentar, contextualizar, mostrar o cheiro do livro."
Para ela, o uso excessivo de telas explica parte dessa mudança de comportamento, mas a docente não vê as redes como inimigas.







