Enquanto defende menos telas no ambiente escolar, o Ministério da Educação (MEC) aposta agora no celular como porta de entrada para a leitura dos estudantes brasileiros. A pasta lançou uma biblioteca digital gratuita e busca transformar o aparelho, apontado como um dos principais fatores de distração nas salas de aula, em porta de entrada para os livros.

O movimento ocorre num momento em que sistemas educacionais de diversos países reduzem o uso de tecnologia no ensino e retomam os livros físicos e a escrita à mão diante de evidências de perda de aprendizagem com abuso dos meios digitais.

Para o ministro da Educação, Leonardo Barchini, não há contradição. "O celular hoje é mais democrático do que uma biblioteca", afirmou à Folha, durante a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). "A gente quer tirar o jovem da tela em que ele fica rolando o algorimo das redes sociais para uma tela do bem, com conteúdo."

Lançado há pouco mais de três meses, o MEC Livros atingiu 1 milhão de usuários, segundo o ministério. O catálogo, inicialmente previsto para reunir 8.000 títulos, soma cerca de 25 mil obras, diz Barchini. De acordo com ele, o orçamento de R$ 5 milhões reservado à plataforma neste ano deverá ser dobrado para atender ao seu crescimento.