Plano com pano de fundo eleitoral mira expulsão de dois milhões de palestinos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Idosa caminha próximo a carro destruído em ataque de Israel nos arredores da Cidade de Gaza em 1º de setembro de 2026 — Foto: Omar al-Qattaa/AFP Integrantes do governo de Benjamin Netanyahu voltaram a defender publicamente a limpeza étnica de cerca de dois milhões de palestinos na Faixa de Gaza. Isto é, ministros israelenses dizem ser a favor de Israel cometer um crime contra a Humanidade. Esse plano já foi proposto ao longo da guerra em Gaza e teve, por um momento, o apoio de Donald Trump, antes de o presidente dos EUA apresentar seu “plano de paz” para o território. Declarações – As declarações a favor da limpeza étnica foram dadas pelo ministro da Defesa, Israel Katz, e pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, um notório extremista. “Não há solução para Gaza sem esta emigração”, disse Katz. Ben-Gvir afirmou que, “em vez de ilusão sobre paz, precisamos de emigração agora”. Ambos usaram o termo mais ameno de “emigração” em vez de falar em limpeza étnica, que é o que, na prática, eles defendem. Trump – No início do ano passado, após tomar posse, Trump chegou a afirmar que defendia a remoção dos palestinos de Gaza, com o território passando para as mãos dos EUA, onde, segundo ele, seriam estabelecidos “resorts”. Posteriormente, o republicano adotou um plano mais pragmático para um cessar-fogo, seguido de uma série de etapas para uma paz mais duradoura na região. Essa proposta tem o apoio de atores regionais, como o Egito, o Catar e a Arábia Saudita. Eleições – Membros do governo de Netanyahu, assim como quase todos os políticos em Israel, estão no chamado “modo eleição”. No caso de Ben-Gvir e Katz, o objetivo é atrair apoio de eleitores radicais do espectro político israelense. Mas ambos realmente parecem dispostos a realizar uma limpeza étnica não apenas em Gaza, como também na Cisjordânia, onde colonos extremistas têm realizado ataques diários contra a população civil palestina em ações classificadas como terrorismo até mesmo por aliados nos EUA e na Europa. Execução – Uma limpeza étnica em Gaza seria um crime contra a Humanidade difícil de ser implementado. Afinal, Israel precisaria remover à força esses dois milhões de palestinos, deteriorando ainda mais sua imagem ao redor do mundo. O Tribunal Penal Internacional já pede a prisão de Benjamin Netanyahu. Haveria, naturalmente, uma enorme resistência dos palestinos, que, em muitos casos, descendem de pessoas expulsas de vilas dentro do território que hoje é Israel. Para completar, nenhuma nação indicou estar disposta a receber os palestinos expulsos. Território – Cerca de 60% da Faixa de Gaza está ocupada por Israel, que transformou a área em uma espécie de zona tampão, destruindo praticamente todas as edificações e expulsando a maior parte da população. Os 40% restantes, onde vivem os cerca de dois milhões de palestinos, seguem nas mãos do Hamas. O plano de Trump prevê o desarmamento do grupo em troca da retirada de Israel. A organização, que cometeu o atentado terrorista de 7 de outubro de 2023, não se desarmou, e o governo Netanyahu já deixou claro que tampouco pretende retirar suas tropas de Gaza. Status – A comunidade internacional defende que os palestinos tenham um Estado nos territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, o que incluiria a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Na Cisjordânia, vivem cerca de três milhões de palestinos em meio a 500 mil colonos israelenses, residentes em assentamentos considerados ilegais internacionalmente. Jerusalém Oriental, de maioria palestina, foi anexada por Israel em ação não reconhecida pela maior parte dos países.
Ministros israelenses defendem limpeza étnica em Gaza
Plano com pano de fundo eleitoral mira expulsão de dois milhões de palestinos












