Proposta de Itamar Ben Gvir prevê retirada dos cerca de 2 milhões de habitantes restantes do território nos seis anos seguintes; deslocamento forçado é considerado crime de guerra segundo a Convenção de Genebra 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Tendas e abrigos são visto perto de destroços de prédios destruídos em acampamento para desalojados pelo conflito no bairro de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza — Foto: Omar AL-QATTAA/ AFP/ 6-7-2026 O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, apresentou nesta quinta-feira um plano para retirar os palestinos da Faixa de Gaza e enviá-los para o exterior. Integrante do partido de extrema direita Poder Judaico, ele propôs expulsar 250 mil palestinos de Gaza em um ano, em um projeto com forte caráter eleitoral antes das eleições gerais de 27 de outubro em Israel. Segundo o plano, os cerca de 2 milhões de habitantes restantes desse território devastado pela guerra entre Israel e o grupo islamista Hamas deixariam a região ao longo dos seis anos seguintes. — É realista — declarou o ministro, integrante da coalizão governista e frequentemente criticado no exterior. — Temos que incentivar a emigração dos habitantes de Gaza. Ben Gvir também ressaltou que, em sua opinião, o plano não significa obrigar os palestinos a abandonar suas terras. Ele ainda afirmou que vários países estão “dispostos” a receber os habitantes de Gaza, mas não especificou quais. O deslocamento forçado de civis de um território ocupado é considerado crime de guerra segundo a Convenção de Genebra. Para os palestinos, qualquer tentativa de expulsá-los de suas terras remete à “Nakba”, termo que significa catástrofe e descreve o êxodo de 1948 após a fundação do Estado de Israel. Ben Gvir é um aliado fundamental na frágil coalizão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, do partido de direita Likud, mas seus comentários já provocaram condenações internacionais. Em agosto, o ministro afirmou que Israel deveria matar “30 ou 40” pessoas todas as noites em Gaza, provocando repúdio da ONU e de países como França e Alemanha. As eleições de 27 de outubro são apontadas como bastante disputadas, e não está claro se os partidos que atualmente integram o governo continuarão no poder. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, do Likud, afirmou que o governo tem planos para deslocar os palestinos de Gaza, mas aguarda uma decisão dos Estados Unidos sobre para onde levá-los.