Agentes apontam que a incerteza eleitoral pode ter impedido um movimento mais acentuado no câmbio doméstico, que já vinha apreciando e se destacando entre os pares nos últimos dias 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Notas de dólar — Foto: Dimas Ardian/Bloomberg O dólar à vista terminou perto da estabilidade na sessão desta quinta-feira, descolado da dinâmica observada na maioria dos mercados mais líquidos. Hoje, a moeda americana caiu globalmente com a revisão das apostas para os juros nos Estados Unidos, já que a chance de uma alta em setembro diminuiu, embora siga acima de 50%. O real chegou a valorizar com alguma consistência, mas o movimento não se sustentou. Agentes apontaram que a incerteza eleitoral pode ter impedido um movimento mais acentuado no câmbio doméstico, que já vinha apreciando e se destacando entre os pares nos últimos dias. Terminadas as negociações do mercado à vista, o dólar fechou em queda de 0,07%, cotado a R$ 5,1047, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,0705 e batido na máxima de R$ 5,1132. Já o euro comercial avançou 0,27%, a R$ 5,9357. Perto do fechamento, o real apresentava um dos cinco piores desempenhos do dia. O índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,62%, aos 98,976 pontos. O dólar à vista iniciou o pregão de hoje em queda, mas a desvalorização foi se dissipando ao longo da manhã. A dinâmica que predominou nos negócios globais foi de fraqueza da moeda americana após o diretor do Federal Reserve (Fed) Christopher Waller adotar um tom mais “dovish” (favorável a política monetária menos apertada) em entrevista concedida à Reuters. O real, porém, não acompanhou os ventos favoráveis de fora. Operadores de câmbio apontaram que a incerteza envolvendo a corrida eleitoral deve conter um movimento mais brusco do real nos próximos 45 dias até sair o resultado da disputa. Os profissionais também disseram que o nível de R$ 5,10 pode ser uma barreira psicológica mais difícil de ser quebrada por muito tempo. O economista-chefe para América Latina da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia, diz em nota que as pesquisas apontando para uma disputa acirrada vem provocando movimentos mais fortes nos ativos brasileiros. Isso porque, segundo ele, “os investidores reavaliam as perspectivas para a política econômica no período pós-eleitoral.” O economista aponta, ainda, que as preocupações fiscais também continuam presentes como pano de fundo, limitando o espaço para uma recuperação sustentada do real, apesar da sólida posição externa do Brasil. “Daqui para frente, o ‘carry’ provavelmente continuará dando suporte ao real nos próximos meses, mas o aumento da incerteza política deverá limitar uma valorização adicional da moeda. Esperamos que a volatilidade aumente nas próximas semanas, à medida que as eleições se aproximam, e que os fatores domésticos se sobreponham aos globais na determinação dos movimentos do mercado.”
Dólar à vista encerra perto da estabilidade e real não se beneficia de ambiente externo
Agentes apontam que a incerteza eleitoral pode ter impedido um movimento mais acentuado no câmbio doméstico, que já vinha apreciando e se destacando entre os pares nos últimos dias






