O cenário eleitoral e algum prêmio de risco sobre a disputa podem ter ajudado a conter a melhora e recuperação do real, segundo avaliação de operadores 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Notas de dólar — Foto: Dimas Ardian/Bloomberg O dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira em leve queda, perto da estabilidade, mesmo com a moeda americana mais fraca no exterior. O cenário eleitoral e algum prêmio de risco associado à disputa podem ter ajudado a conter a melhora e a recuperação do real, segundo avaliação de operadores. A moeda brasileira não terminou entre as mais fracas do dia, mas abandonou o posto de uma das mais fortes no começo da manhã, o que vinha sendo uma retomada da queda mais forte e isolada dos pares, ontem. Encerradas as negociações, o dólar à vista fechou perto da estabilidade (-0,06%), cotado a R$ 5,1281, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,0989 e batido a máxima de R$ 5,1336. Já o euro comercial avançou 0,13%, a R$ 5,9241. Perto das 17h15, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,15%, aos 99,712 pontos. O dólar perdeu força frente ao real desde o começo da sessão. Operadores mencionaram que a pesquisa sobre as eleições presidenciais realizada pela Genial/Quaest e divulgada nesta manhã, com Flávio Bolsonaro reduzindo a diferença sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), poderia ter dado espaço para uma correção da piora do câmbio vista ontem. Na última sessão, o real figurou como a pior moeda do dia, em um misto de maior risco por conta da revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, de preço mais fraco do petróleo, e em meio à cautela pré-período eleitoral. O movimento no mercado de derivativos ontem se deu principalmente pela atuação dos estrangeiros. Segundo informações de um trader com base em dados da B3, na terça-feira o investidor não residente comprou quase US$ 820 milhões em dólares. “Pode ser que haja algum ajuste nisso hoje, mas caso não haja talvez seja a sinalização de que o estrangeiro está ‘tirando o pé’ [reduzindo posições] por conta das eleições”, afirma um gestor. Ao longo da manhã, o real buscou recuperar parte das perdas, chegando a bater as mínimas do dia quando foi noticiada a revogação de sanções dos EUA contra entidades ligadas à Guarda Revolucionária do Irã. Minutos depois, no entanto, o movimento perdeu ímpeto com o anúncio do PL sobre o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) ser o vice de Flávio Bolsonaro na candidatura à Presidência neste ano. Para operadores, o candidato se isola ao fazer uma chapa “puro-sangue” (presidente e vice do mesmo partido) e também tem menos tempo na propaganda eleitoral na televisão. Em nota, o chefe de mercados do banco ING, Chris Turner, diz que o risco político associado às eleições presidenciais de outubro no Brasil representa a maior ameaça para o real agora. “Nenhum dos candidatos (nem o presidente Lula, nem Flavio Bolsonaro) parece comprometido com a austeridade fiscal. No entanto, os investidores recebem uma remuneração substancial por manter posições em real brasileiro, e esperamos que a moeda continue apresentando desempenho superior ao projetado pela curva a termo.” O diretor da WIA Investimentos, José Faria Júnior, diz que o real tem se comportado principalmente em função das variáveis do dólar global e dos preços do petróleo. “O melhor cenário para o real é de índice dólar [DXY] em queda e de petróleo em alta”, diz. “Por agora, vemos o índice dólar voltando a enfraquecer após os comentários do [presidente do Federal Reserve] Kevin Warsh, porque antes das declarações dele havia duas altas e meia precificadas para os juros americanos e isso caiu para algo em torno de uma alta e meia.” No caso do petróleo, com os preços da commodity mais fracos, o real também perde um suporte. “Estamos vendo o Brent abaixo de US$ 80 e pode ir para US$ 75 o barril, isso é ruim para o real”, afirma, acrescentando, porém, que no médio prazo, a orientação das duas variáveis (petróleo e DXY) deve pender mais para o lado do dólar global. Neste momento, Júnior diz enxergar um bom nível de venda a R$ 5,16, considerando que seu modelo indica que há uma concentração de players de longo prazo posicionados neste patamar, que podem estar fazendo com que o movimento respeite essa faixa. “Mas isso sempre pode mudar. Isso é uma tendência, e ela pode ser alterada. Da mesma forma que vejo o nível de R$ 5,07 como um bom patamar para entrada [compra de dólar].” Sobre o cenário eleitoral, o diretor da WIA diz ver já algum preço no câmbio de uma possível reeleição do atual presidente. “Quando olhamos para as disputas, no Polymarket, por exemplo, o Lula está com 65% de chance de ganhar. Na Quaest a diferença entre Lula e Flávio reduziu, mas ele segue na frente”, afirma. “Não vai ser uma grande surpresa.”
Dólar encerra perto da estabilidade mesmo com exterior favorável
O cenário eleitoral e algum prêmio de risco sobre a disputa podem ter ajudado a conter a melhora e recuperação do real, segundo avaliação de operadores






