O dólar à vista terminou a sessão desta terça-feira perto da estabilidade, com o real não conseguindo recuperar parte das perdas recentes, mesmo sem um grande evento elevando o risco global. De todo modo, a cautela prevaleceu mais uma vez, e ativos mais arriscados se mantiveram sob pressão ou apáticos. A moeda brasileira, no entanto, não listou entre as piores do dia, na relação das 33 mais líquidas. Encerradas as negociações desta terça, o dólar à vista fechou negociado em queda de 0,04%, cotado a R$ 5,1775, depois de ter batido na mínima de R$ 5,1500 e encostado na máxima de R$ 5,1930. Já o euro comercial avançou 0,05%, a R$ 5,9752. Perto das 17h05, o índice DXY tinha depreciação de 0,08%, aos 99,965 pontos. No começo das negociações desta terça, o movimento de força do dólar dava sinal de esgotamento, com a divisa americana depreciada na maioria dos mercados mais líquidos. Ao longo da manhã, no entanto, essa dinâmica foi perdendo força. Operadores entendem que, daqui em diante, se o cenário externo continuar incerto, o câmbio doméstico deve ficar pressionado, em especial por conta das eleições. O gerente de câmbio da Tullett Prebon Brasil, Italo Abucater, diz que o cenário mais construtivo para o real ficou para trás. “Agora começa o segundo semestre, com fluxo pior para o real”, diz. “Fora que o ‘payroll’ (relatório americano de empregos) de sexta-feira criou uma pressão para o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) subir os juros. Além disso, há o IPO da SpaceX na quinta”, afirma, fazendo referência que o fluxo de estrangeiro não deve voltar a migrar para o mercado brasileiro diante desses eventos externos atratores de capital. De todo modo, Abucater diz ainda ver o “carry trade” fazendo efeito. “Sempre vai ter demanda por ‘carry’ com a Selic nesses níveis”, afirma. “A posição vendida é sempre melhor, mas o problema é que você já não está com uma ‘receita de bolo’, com ganhos tão certos, porque o fluxo [de fim de ano] começa a ficar negativo, fora outras variáveis negativas no mundo.” Em relatório semestral sobre projeções para os mercados emergentes, o J.P. Morgan diz que os riscos eleitorais se somam a uma posição já bastante congestionada no real brasileiro, e por isso o banco reduziu sua recomendação na moeda brasileira, de acima da média (OW, em inglês) para neutra (MW). “A resiliência relativa do real tem sido favorecida pelo fato de a moeda ainda estar protegida pelo seu elevado diferencial de juros (carry)”, ainda segundo os estrategistas da casa. “No entanto, nosso modelo de valor justo indica que a moeda está ligeiramente cara, e o posicionamento dos investidores está próximo dos níveis historicamente mais elevados. Diante disso, adotamos uma postura mais cautelosa e mantemos nossa exposição ao real exclusivamente por meio de opções.”
Dólar encerra perto da estabilidade e real tem dificuldade em se recuperar de perdas recentes
Moeda brasileira, no entanto, não listou entre as piores do dia, na relação das 33 mais líquidas








