Presidente russo chamou rumores de 'ataque de informação' vindo de Kiev, segundo ele, com o intuito de interferir nas eleições legislativas deste mês 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em discurso no Fórum Econômico do Oriente, em Vladivostok — Foto: Vyacheslav PROKOFYEV / POOL / AFP O presidente da Rússia, Vladimir Putin, negou ter planos para uma nova rodada de mobilização militar para a guerra na Ucrânia, e disse que tais rumores, divulgados pela imprensa americana em agosto, se tratam de um “ataque de informações” vindo de Kiev para interferir nas eleições para a Duma, a Câmara baixa do Parlamento, este mês. — Não existe nenhum cenário hoje que exija mobilização — declarou o presidente, em intervenção durante o Fórum Econômico do Oriente, em Vladivostok. — É simplesmente uma operação de informação planejada. Segundo Putin, tais rumores são uma tentativa de Kiev e seus aliados ocidentais para interferir nas eleições para a Duma, entre os dias 18 e 20 de setembro. A votação será a primeira para a Câmara baixa do Parlamento desde o início da guerra, há quatro anos e meio, e a longa lista de problemas enfrentados ligados ao conflito, como a alta da inflação e a escassez de combustíveis, acendeu alertas no Kremlin. Em análise recente ao site Riddle Russia, a cientista política Ksenia Smolyakova afirmou que o governo teme que eleitores descontentes descontem suas frustrações nas urnas. No mês passado, o americano Wall Street Journal (WSJ) relatou uma série de manobras militares no enclave russo de Kaliningrado, entre Polônia e Lituânia, voltadas a testar o estado de prontidão das forças locais e para testar a capacidade de uma nova mobilização de moradores da região. Os exercícios, acrescentou o jornal, foram realizados em outras áreas da Federação Russa, mas não havia indícios de que uma decisão tenha sido tomada. A última mobilização militar na Rússia ocorreu em setembro de 2022, e provocou cenas de caos em fronteiras terrestres e aeroportos, com centenas de milhares de homens aptos a servir nas Forças Armadas buscando refúgio em outros países, como Cazaquistão, Armênia e Geórgia. Muitos jamais regressaram para suas cidades, e ativistas afirmam que as convocações ocorreram de maneira desproporcional em áreas pobres e entre as minorias étnicas e religiosas russas. O Kremlin negou as acusações, e Putin garantiu nesta quinta-feira que todos os combatentes em solo ucraniano estão lá por vontade própria, antes de acusar a Ucrânia de enviar soldados às linhas de frente à força. — Assistimos todos os dias na televisão e na internet como as pessoas na Ucrânia, como cães vadios, são reunidas e arrastadas à força para a frente de batalha — destacou. Especialistas dizem que, caso saia do papel, a mobilização pode ocorrer no início do ano que vem, e estaria relacionada ao desejo de Putin de consolidar ganhos territoriais no leste ucraniano, na região conhecida como Donbass. Nos últimos meses, Moscou não obteve vitórias estratégicas de peso em sua guerra de trincheiras, e avanços têm sido cada vez menores e a um custo humano elevado. Em paralelo, a Rússia intensificou o componente aéreo da guerra, com ataques violentos contra cidades da Ucrânia — em resposta, Kiev impõe estragos consideráveis à economia russa, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os céus russos não são mais seguros por causa da grande quantidade de seus drones em operação no país. No fórum de Vladivostok, Putin negou a existência de problemas nas linhas de frente. — As tropas russas estão avançando todos os dias. Todos os dias. E em todas as áreas da linha de contato. Em alguns lugares, mais rápido, em outros, mais devagar, mas recentemente, o ritmo do avanço tem aumentado — garantiu. — Mas as perdas do inimigo aumentam a cada mês. O número de baixas é significativamente maior do que o número de pessoas que chegam em decorrência da mobilização forçada e retornam dos hospitais. Esse número chega a 8 mil a 12 milpessoas por mês. O presidente ainda afirmou que “há alguma chance” de obter um acordo de paz com a Ucrânia, e que os dois lados estão em contato indireto constante. Ao mesmo tempo, não pareceu disposto a abandonar sua longa lista de exigências, que incluem desde a manutenção dos territórios ocupados até compromissos que poderão afetar a autonomia ucraniana no futuro, como sobre a adesão a blocos multilaterais. — É difícil para mim dizer neste momento em que medida esses contatos estão levando a um acordo de paz, considerando as declarações que ouvimos recentemente de altos funcionários da Ucrânia. Mas os contatos existem e continuam como de costume, principalmente por meio dos serviços de segurança — disse Putin.