O Presidente russo, Vladimir Putin, convocou, nesta terça-feira, eleições legislativas na Rússia, a decorrer entre o dia 18 20 de Setembro, num contexto de erosão do apoio ao partido que sustenta o Kremlin e de um crescente descontentamento com a situação interna do país.Segundo o portal de informações jurídicas da Rússia, Putin, que foi reeleito em 2024 para um novo mandato de seis anos, assinou o decreto que formaliza a realização das eleições que colocam à disposição de renovação os 450 lugares da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, bem como milhares de cargos regionais e locais.As sondagens mais recentes apontavam para uma quebra nas intenções de voto do partido no poder, que caiu para menos de 30% nos últimos meses, aproximando-se dos mínimos históricos de 26,4% registados em Agosto de 2021, aponta a Lusa. Os eleitores associam esta perda de apoio ao prolongamento da guerra na Ucrânia e a algumas das suas consequências, nomeadamente, aos ataques com drones em território russo, ao aumento do custo de vida e às restrições impostas ao acesso à Internet e às redes sociais. Também o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o partido que apoia Putin poderá contar apenas com 22% das intenções de voto, muito abaixo dos quase 50% alcançados nas legislativas de 2021.Ao mesmo tempo, algumas forças da oposição têm vindo a captar mais simpatizantes, sobretudo por contestarem determinadas medidas adoptadas pelas autoridades russas. Tradicionalmente, a força política dominante beneficia da baixa participação eleitoral, sobretudo nos grandes centros urbanos. Ainda assim, vários analistas citados pela Lusa consideram improvável que consiga renovar a maioria parlamentar sem recorrer a mecanismos de controlo do processo eleitoral.Nesse sentido, os russos foram avisados para possíveis falhas no acesso à Internet durante os dias de votação. Segundo o jornal Novaya Gazeta Europe, a presidente da Comissão Eleitoral Central da Rússia, Ella Pamfilova, justificou eventuais restrições com razões de segurança e pediu à população que não critique as limitações impostas pelas autoridades. Citada pelo jornal, Pamfilova afirmou que a impossibilidade de aceder à rede poderá "salvar vidas" e garantiu que as interrupções nas comunicações serão feitas "no interesse da segurança".Nos últimos anos, o acesso à Internet tornou-se cada vez mais limitado na Rússia. O mesmo jornal refere que o país aumentou o número de aplicações proibidas, que os serviços de VPN tornaram-se mais difíceis de utilizar e que a lista de páginas bloqueadas pelas autoridades continua a crescer. Em 2025, várias regiões russas registaram cortes prolongados nas redes móveis, incluindo Moscovo, numa tendência que tem suscitado preocupação entre a população.