Duas reportagens de capa assinadas por André Barrocal servem de prelúdio para o espetáculo em curso. Embora manjado, o golpe nunca deixa de enganar os incautos. E de produzir os efeitos desejados, em maior ou menor medida. Na edição 1410, de 29 de abril, sob o título “Na Mira”, CartaCapital detalha o especial interesse do ministro André Mendonça em recolocar o desafeto Alexandre de Moraes no centro das investigações sobre as falcatruas do Banco Master. No número 1425, de 12 de agosto, descrevemos os pesos e medidas do “juiz torcedor”, Mendonça, empenhado em desviar o foco das denúncias contra Flávio Bolsonaro, representante do clã que o instalou em uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

Nestes meses, o magistrado “terrivelmente evangélico” cumpriu sua missão com a devoção de um talibã. Os vazamentos das conversas de Fábio Luís, filho do presidente Lula, com a empresária Roberta Luchsinger, na esteira do inquérito que apura os desvios no INSS, foram uma tentativa de igualar o campeonato da corrupção quando a opinião pública estava interessada em conhecer o destino do dinheiro repassado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar a “obra-prima” Dark Horse, cinebiografia de um condenado por tentativa de golpe. Nem se compara, porém, à mais ousada emboscada de Mendonça. A exposição, na terça-feira 1º, das relações de Moraes com Vorcaro reverbera além do gabinete do ministro alvejado. Incita a desconfiança pública em relação ao STF e se estende à Procuradoria-Geral da República e ao comando da Polícia Federal.