As gargalhadas de Moraes e seus colegas juízes mostram que o Supremo nos trata como bobos da corte 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estão rindo de quê? Zanin, Moraes, Gilmar e Fachin (de costas), após sessão. Sobriedade, senhores juízes! — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo A foto de capa do GLOBO na edição de hoje é mais um tapa na cara dos brasileiros. Somos tratados como bobos da corte. As gargalhadas dos ministros do STF Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin contrastam com o clima de luto e desesperança que tomou o país após a revelação das 52 mensagens entre Moraes e Vorcaro. As mensagens provocam arrepios, por sugerirem, mais que corrupção financeira, corrupção moral. Na imagem publicada (chapeau para o repórter fotográfico Brenno Carvalho), o presidente do tribunal, Edson Fachin, está de costas. Pena não saber se ele também está rindo, depois de prometer “medidas cabíveis” para investigar o escândalo da vez. Pena não estar ali o ministro André Mendonça, que resolveu jogar tudo no ventilador a um mês da eleição. Estará gargalhando, por achar que convence como bastião da ética? Alguém realmente acredita que Mendonça quer moralizar o STF e que age com transparência absoluta? Talvez, se abrir também o sigilo dos milhões de Vorcaro para o Dark Horse e Flávio Bolsonaro. Alguém realmente acredita que Mendonça tomou o depoimento de Vorcaro semana passada apenas para escutar as denúncias de intimidações da PF contra o maior bandido de nosso sistema financeiro? Quando leio que Mendonça “esbarrou por acaso” no nome de Moraes ao investigar os interlocutores de Vorcaro, penso: até quando vamos acreditar em duendes? Não tem santo no STF. Mendonça abriu uma empresa, o Instituto Iter, depois de ser nomeado ministro. Em dois anos, sua empresa, fundada com a esposa, advogada, recebeu R$ 8,2 milhões em verba pública. Contratos sem licitação. Entre seus maiores clientes, o governo de Tarcísio e a prefeitura de Nunes em SP. O que Mendonça acaba de fazer, hoje? Saiu da empresa. De repente, se tocou que pegava mal. Mas afinal, Mendonça não infringiu a lei. No Brasil, os juízes do Supremo podem ser dublês de empresário. Assim, Gilmar Mendes é dono de faculdade privada e promove todo ano uma festança em Lisboa para políticos, empresários, lobistas, advogados. Com roupagem acadêmica, mas apelidada de Gilmarpalooza. Congresso e Judiciário param quase tudo para prestigiar in loco. Será que tem astronauta, charuto e Macallan? É inacreditável como a ganância acomete nossos juízes e parlamentares. Não consigo entender como grupos tão endinheirados, em posições de poder, comprometem reputação e integridade para, num país tão desigual, ganhar mais e mais grana, roubar mais e mais milhões de nossa gente. Uma fortuna que nunca serão capazes de gastar em vida. Revoltante. Alexandre de Moraes jamais poderia ter permitido, em primeiro lugar, que sua esposa, a advogada Viviane Barci, assinasse o contrato surreal de R$ 130 milhões com um banqueiro. E recebesse jatinhos. E cartões de crédito para os filhos. Não era ilegal? Era imoral. Parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos por serviços advocatícios? Como achar isso normal? Agora, a troca de mensagens com Vorcaro revelou muito mais. Um compadrio indigesto. Moraes deveria ao menos fingir-se compungido. E seus colegas do Supremo também. Porque o cinismo não se perdoa. Brasília tem a maior concentração de renda do Brasil, e o maior índice de desigualdade, segundo a FGV. O valor médio do patrimônio dos brasilienses é de R$ 94 mil. Imagina se englobasse dinheiro de corrupção. Todos se locupletam, todos devem explicações, todos se acobertam. E não só no Supremo. “Faz-me rir” é gíria popular para dinheiro. Pode ser propina ou suborno. Tudo a ver com uma possível minissérie ambientada em Brasília. Um dos episódios seria intitulado “As esposas”. Fica aqui minha modesta sugestão.
'Faz-me rir', o novelão da ganância no STF
As gargalhadas de Moraes e seus colegas juízes mostram que o Supremo nos trata como bobos da corte












