Autoridade monetária faz estudos para interligar o popular sistema de pagamentos instantâneos brasileiro ao TIPS, plataforma do Banco Central Europeu (BCE) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pix — Foto: Bruno Peres/Agência Brasil O Banco Central (BC) faz estudos para interligar o Pix ao TIPS, plataforma de pagamentos instantâneos do Banco Central Europeu (BCE). O interesse do no sistema brasileiro está registrado na apresentação pública "TIPS-CG Meeting Status update on cross-border payments in TIPS", de 10 de junho. A equipe técnica do BCE divulgou o status sobre os pagamentos transfronteiriços do TIPS na reunião daquele mês. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo. O movimento rumo à internacionalização do popular sistema de pagamentos instantâneos brasileiro ocorre em um momento em que o Pix é alvo de críticas do governo americano. Washington acusa o BC de prejudicar empresas americanas, incluindo as grandes bandeiras de cartões Visa e Mastercard, e usou este argumento, entre outros, para jusrificar a imposição de tarifas comerciais ao Brasil. A interoperabilidade do sistema de pagamentos europeu com outras nações tem sido introduzida de maneira gradual após três fases de análise. As conexões técnicas entre o TIPS e outras plataformas estão previstas para acontecer a partir de 2027. Na prática, vai permitir a liquidação instantânea de ponta a ponta entre o euro (TIPS) e outras moedas (em outros sistemas de pagamento instantâneo). O BCE citou quatro sistemas de pagamentos instantâneos que estão no radar para a conexão: UPI, da Índia; NGP’s Nexus, da organização sem fins lucrativos Nexus Global Payments, com base em Singapura; Swiss SIC-IP, da Suíça; e o Pix. Dos quatro sistemas, o Pix é o que está em fase mais inicial de conexão com o TIPS, na etapa de pré-investigação, que dura de junho de 2025 a setembro de 2026. Segundo os técnicos do BCE, os estudos estão em andamento, abordando em alto nível diferentes áreas, por exemplo, técnica, jurídica, segurança e operações. A interoperabilidade com o NGP's Nexus e com o Swiss SIC-IP está na fase de exploração. Ambas devem acabar em novembro de 2026, mas o NGP's estará quase dois anos nesse estágio (desde outubro de 2024), enquanto o Swiss SIC-IP ficará quase 1 ano (desde outubro de 2025). A equipe técnica do BCE não disse quando a fase de exploração começará com o Pix. O UPI, da Índia, é o único dos quatro sistemas que ultrapassou as duas primeiras fases. Ficou de outubro de 2024 a novembro de 2025 na etapa de exploração. Agora, no grau de "realização", o BCE espera concluir o projeto-piloto do indiano UPI no primeiro semestre de 2027. As adaptações técnicas para o TIPS irão do 4º trimestre de 2026 para o 1º trimestre de 2027. Resta finalizar questões contratuais e regulatórias necessárias. A União Europeia e a Índia vão ter um trabalho de divulgação junto ao mercado. O Valor apurou que uma comitiva de chefes adjuntos do Banco Central irá ao BCE, em outubro, para reuniões sobre a interoperabilidade entre os sistemas. O BC publicou, em 10 de agosto, o Relatório de Gestão do Pix, que previa a intenção da autoridade monetária em conectar o sistema de pagamentos a outros países. "O BC acompanha os diversos modelos de transações transfronteiriças que vêm sendo implementados pelos agentes privados, em parceria com instituições de outras jurisdições, que já estão viabilizando o uso do Pix por brasileiros em outros países e o uso do Pix no Brasil por não residentes a partir dos aplicativos de instituições estrangeiras", disse a autoridade monetária no relatório. O texto disse ainda que o BC avalia a interligação do Pix com sistemas de pagamentos instantâneos de outras jurisdições. "Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais. Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos", afirmou. Para o BC, a interligação de sistemas de pagamentos instantâneos tem o potencial de diminuir as tarifas, aumentar a velocidade, ampliar o acesso e melhorar a transparência de transações transfronteiriças.