Às vésperas das eleições de 2018, o economista Bernard Appy percorreu comitês de campanha e grupos da sociedade civil ao lado de pesquisadores do CCiF (Centro de Cidadania Fiscal). O objetivo era colocar em pauta o tema da reforma tributária.

O assunto não virou tema quente no período eleitoral, mas quando a discussão foi pautada no Congresso Nacional, ao longo dos governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as propostas do CCiF tiveram influência decisiva.

Ao longo desta semana, uma equipe liderada pelo economista Luiz Awazu Pereira da Silva chega a São Paulo com objetivo semelhante: colocar um tema no debate público. Eles apresentarão em diversos fóruns —entre eles Fiesp, Febraban, ONGs e entidades ligadas ao agronegócio— o estudo "Crescimento liderado pelo investimento na transição ecológica do Brasil", realizado com o apoio do Cetex (Centre for Economic Transition Expertise) da LSE (London School of Economics), e da organização não-governamental ICS (Instituto Clima e Sociedade).

O estudo defende que, se tomar as decisões certas, o Brasil pode se aproveitar do "powershoring", conceito desenvolvido pelo economista Jorge Arbache, um dos coautores do texto.

Indústrias que usam energia de forma intensiva estão se mudando para países ou regiões com oferta energética abundante. Num contexto geopolítico em que o acesso aos combustíveis fósseis é cada vez mais incerto, torna-se uma vantagem se essa oferta for de energia limpa.