Por Mahatma Ramos dos Santos, Ticiana Alvares Oliveira e Francismar Ferreira
O acirramento das disputas geopolíticas e a reorganização das cadeias globais decorrente das guerras e conflitos comerciais recolocaram a segurança energética no centro das estratégias nacionais. Recursos energéticos e minerais tornaram-se questão de soberania, desenvolvimento e estabilidade econômica. Nesse contexto, países que preservam capacidades estatais e controle sobre recursos, empresas e infraestruturas estratégicas possuem melhores condições para proteger suas populações e economias diante de choques externos.
O Brasil ocupa posição privilegiada, mas contraditória: é um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo e possui uma das maiores empresas petrolíferas globais, a Petrobras. Entretanto, permanece dependente da importação de derivados, resultado da insuficiência da capacidade de refino frente à demanda nacional, quadro agravado pela redução dos investimentos no setor e pela alienação de parte das plantas de refino da Petrobras entre 2016 e 2022.
O atual conflito no Oriente Médio explicita os efeitos nocivos do ciclo de privatizações. Diante da escalada dos preços internacionais, o governo federal implementou instrumentos emergenciais de subvenções, cortes de tributos, fiscalização contra práticas abusivas e tributação temporária das exportações de petróleo. A Petrobras também foi decisiva; os recordes de produção de petróleo e derivados e a manutenção de uma política comercial ancorada em parâmetros domésticos contribuíram para amortecer o choque inflacionário global sobre os consumidores brasileiros.







