A transição energética depende de uma atividade historicamente associada a conflitos socioambientais: a mineração. Para substituir combustíveis fósseis, o mundo precisará extrair mais lítio, cobre, cobalto e terras raras, muitos deles localizados em territórios indígenas e comunidades tradicionais.

Surge, então, uma pergunta inevitável: estamos diante de um modelo de desenvolvimento mais justo ou apenas de uma nova versão do extrativismo, agora legitimada por um propósito ambiental?

Essa reflexão foi reforçada pela liderança indígena Patricia Gualinga, do povo Kichwa de Sarayaku, durante a Rio Nature and Climate Week. Para ela, a indústria extrativa promete há décadas operar de forma mais responsável. O desafio continua sendo transformar esse discurso em mudanças concretas nos territórios.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a demanda por minerais críticos, como lítio, cobre, cobalto e terras raras, crescerá fortemente até 2040, impulsionada pela eletrificação da economia e pela expansão das energias renováveis. A transição energética será global, mas seus impactos continuarão sendo profundamente locais.

No Brasil, o Observatório da Transição Energética, iniciativa da Repórter Brasil, do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) e do grupo de pesquisa PoEMAS (grupo de pesquisa e extensão Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade da Universidade Federal de Juiz de Fora) mapeou que projetos ligados a minerais críticos, usinas eólicas e solares, além de linhas de transmissão, incidem sobre 44% das terras indígenas, o equivalente a 278 territórios.