Opção adotada para adaptação à chegada da inteligência artificial generativa alinha transição para a nuvem com os data centers tradicionais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A nova fronteira da eficiência bancária está na modernização de sua infraestrutura tecnológica. Mais especificamente na chamada transformação digital, baseada no aproveitamento inteligente de dados e na atualização de sistemas antigos, sem prejuízo da segurança e da estabilidade das operações. É dessa nova fronteira que o setor financeiro brasileiro, detentor de uma base maciça de clientes e transações diárias, poderá gerar novos modelos de negócios e novas oportunidades de crescimento no mercado. No Brasil, os investimentos nesse setor estão alinhando a transição para a nuvem com a robustez dos data centers tradicionais, observando as exigências de segurança cibernética definidas pelo Banco Central (BC). Esse arranjo híbrido configura-se como uma necessidade estratégica e visa preparar os bancos para a expansão da inteligência artificial generativa (GenAI), computação em nuvem e a segurança de dados. Para permitir que a GenAI trate dados financeiros em tempo real, os bancos estão interconectando seus sistemas centrais tradicionais, operados por computadores de grande porte, a ambientes de nuvem. Pesquisa recente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indica que as instituições preveem destinar R$ 50,4 bilhões para a tecnologia em 2026. “Mais do que nunca os bancos se tornaram os maiores consumidores de tecnologia e o Pix empurrou de vez todo mundo para se atualizar, sendo possível ver iniciativas muito grandes de digitalização”, diz George Bem, CTO e diretor de Inovação da Tivit, multinacional de tecnologia e transformação digital com mais de 25 anos no mercado brasileiro. A nuvem é o foco estratégico do Bradesco, segundo o CIO, Daniel Falbi. Ele diz que o banco vem acelerando sua migração para a nuvem com a adoção do modelo “cloud first”. O modelo prioriza essa solução para alocar e executar novos sistemas, aplicativos e dados financeiros em detrimento de investimentos em servidores físicos locais. O banco tem transformado sua infraestrutura em plataformas, modificando assim a maneira como constrói, conecta e entrega tecnologia aos clientes. “Somos um banco de 85 anos, então toda a infraestrutura que a instituição carregou nesses anos precisa ser simplificada para que possamos entregar valor de forma mais rápida”, afirma Falbi. “Com o ‘cloud first’, a nuvem passa a ser a primeira opção considerada para qualquer novo projeto.” Outra ação do Bradesco é migrar servidores, bancos de dados, redes e sistemas centrais para plataformas consolidadas. “Vamos desenvolver produtos de infraestrutura e disponibilizá-los rapidamente em uma plataforma e um ecossistema muito mais digital para nossos times de desenvolvimento”, conta. “O mercado financeiro brasileiro é um dos que têm aceleração digital mais rápida do mundo. As milhares de pessoas que foram bancarizadas com a chegada do Pix e que passaram a usar os sistemas digitais, e o open finance, que gerou uma interconectividade sem precedente, criaram um ambiente de digitalização gigante, com impacto direto na tecnologia, nos sistemas e nas plataformas dos bancos”, diz Denis Nakazawa, sócio de serviços financeiros e digital da Oliver Wyman consultoria. O projeto do Itaú voltado a acelerar a eficácia dos sistemas de sua infraestrutura teve início de maneira mais robusta em 2015, de acordo com Ricardo Guerra, chefe de tecnologia e operações do banco. Atualmente, quase 75% da infraestrutura do Itaú opera na nuvem, diz o executivo. “Optamos por desenvolver plataformas de inteligência artificial que permitem acesso a diversas soluções de GenAI disponíveis no mercado, com ganho na experimentação e criação de produtos e serviços.” O Banco do Brasil dobrou os investimentos em tecnologia nos últimos anos, diz o diretor de tecnologia Rodrigo Mulinari. “Começamos pela tecnologia interna, passamos pelas operações e agora chegamos à experiência do cliente”, conta. “Investimos em data centers próprios - são dois atualmente -, com foco na redução de custos e independência de atuação”, afirma O banco também migrou para a nuvem, onde “a maioria dos serviços já opera na solução”. Em 2025, treinou 60 mil funcionários em IA. “Os bancos têm investido muito na digitalização, criando interfaces e migrando para a nuvem, mas a capacitação dos colaboradores será essencial para o êxito dessa mudança”, diz Fabio Hashimoto, CTO da Logicalis, que oferece soluções e serviços em tecnologia.