Com o uso cada vez mais intensivo da inteligência artificial, cresce a demanda por pessoas que busquem soluções inovadoras e tenham uma visão mais ampla e generalista 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rodrigo Benin, diretor-executivo para indústria financeira da IBM Brasil: setor passa por um momento de transição — Foto: Divulgação Com o uso cada vez mais intensivo da inteligência artificial (IA) no setor financeiro, a estratégia para buscar profissionais no mercado mudou. Antes, a procura era por pessoas que dedicassem 80% do tempo para execução e 20% do tempo para ideias e estratégia. Agora, a demanda é por profissionais com habilidades mais relacionadas à estratégia, que sejam mais criativos e tenham uma visão mais ampla e generalista dos negócios. “Hoje, vale mais a pena eu ter uma dedicação de 80% do meu tempo em estratégia, ideias, e ter 20% em execução, porque a inteligência artificial generativa gera coisas. Então, é importante que o novo profissional tenha uma visão ampla: boa visão técnica, boa visão de negócios e com potencial de ter criatividade”, diz João Pedro Brasileiro, professor da Fundação Dom Cabral e da XP Educação. Rodrigo Benin, diretor-executivo para indústria financeira da IBM Brasil, destaca que o setor está passando por um momento de transição com o uso de inteligência artificial, migrando dos assistentes de IA para agentes que executam uma tarefa. “À medida que você sai do assistente e passa a trabalhar com agentes, que executam ações, você passa a ter uma capacidade de cobertura de pedaços do negócio muito mais abrangente”, afirma. Benin cita como exemplo um financiamento imobiliário: um agente orienta o cliente sobre a documentação necessária; quando ele envia os documentos, um outro agente especializado em fazer análise dos documentos aponta pendências, se houver. Um terceiro, especializado em avaliação de risco de crédito imobiliário, avalia o limite de financiamento para aquela transação e pode pedir novos documentos. Para que tudo isso aconteça, é necessário ter uma orquestração - entre agentes, pessoas, dados, sistemas e processos. Brasileiro explica que no conceito da IA agêntica surge uma nova fronteira, onde as organizações precisam ter equipes formadas por agentes e humanos - e cada profissional precisará trabalhar com um pool de agentes. “Nessa nova fronteira, cada pessoa dentro da empresa terá um ‘gêmeo digital’, como um clone digital, que saberá como o João pensa em relação a finanças, ao comercial, ao RH. Esses agentes de IA replicam a forma como o João pensa e eles fazem a gestão dos agentes em uma primeira camada, delegando tarefas para esses agentes específicos.” Nesse cenário, a IA gera, mas o profissional precisa validar. “O papel do ser humano, mais do que validar, é conseguir trabalhar em processos que reduzam o tempo e a energia necessários para fazer a validação, para que os fluxos de inteligência artificial cada vez respondam de maneira mais ajustada e correta”, comenta Brasileiro. Para o professor, a adoção maciça da IA não significa necessariamente desemprego, mas uma transformação. Ele cita dados do Fórum Econômico Mundial, de 2025, indicando que a IA vai eliminar 92 milhões de empregos, ao mesmo tempo em que vai criar outros 170 milhões. Dá como exemplo de transformação as operações de call center, onde o primeiro contato é feito pelo agente de IA. O uso da IA amplia exponencialmente a capacidade de lidar com o volume de dados, problemas e cenários e gerar soluções, segundo Ricardo Guerra, líder de tecnologia do Itaú Unibanco. “Quando a gente olha para isso, a gente passa a viver num mundo muito diferente daquele que a gente conhecia. Com a IA cumprindo esse papel, as pessoas passam a cumprir papéis novos”, afirma Guerra. Na opinião de Guerra, a IA não é um grande vetor direto de redução de pessoas. “Pelo contrário, eu vejo a IA como um indutor de criação de papéis novos. E as pessoas vão ter que ocupar essas posições para que a gente gere um valor muito maior do que aquele que a gente estava acostumado”, diz. Para Richard Flávio da Silva, CIO do Santander e CEO da F1RST, empresa de tecnologia do Santander, qualquer mudança de paradigma passa primeiro pelo foco nas pessoas. Comprova sua tese citando uma pesquisa do Boston Consulting Group (BCG) mostrando que 70% do sucesso do uso da IA, em qualquer caso de negócios, depende dos humanos. “Tem a ver com a gente, de fato, mudar os paradigmas que passam primeiro e são focados nas pessoas. É a formação, é o upskilling [aprimorar habilidades], e repensar os fluxos dos processos.” No Nubank, todos os colaboradores têm acesso a ferramentas de IA “de maneira abundante”, diz a CEO, Livia Chanes. “A gente enxerga que a inteligência artificial é uma mudança fundamental na nossa forma de trabalho, e estamos reinventando os ciclos de trabalho nas diferentes funções.”
Exigência dos bancos agora é por profissionais que sejam criativos
Com o uso cada vez mais intensivo da inteligência artificial, cresce a demanda por pessoas que busquem soluções inovadoras e tenham uma visão mais ampla e generalista






