Deputado federal e aliado de Eduardo Paes, candidato do PSD fala sobre a aliança com a esquerda e critica o radicalismo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Deputado federal Pedro Paulo em entrevista ao colunista do GLOBO Bernardo Mello Franco. — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo A partir desta quinta-feira, o GLOBO mostra as ideias e propostas dos principais candidatos às duas vagas para o Senado Federal pelo Rio de Janeiro. Aliado de Eduardo Paes, o deputado Pedro Paulo (PSD) fala sobre a aliança com a esquerda e critica o radicalismo. Assista à entrevista: Veja os principais pontos da entrevista: Seu aliado Eduardo Paes lidera a disputa pelo governo, mas o senhor aparece em sexto lugar na corrida ao Senado. Por quê? A eleição para o Senado é meio invisível. Quem larga na frente são os candidatos mais conhecidos. O grande desafio é chamar a atenção para a importância dessa eleição. Qual a sua estratégia para crescer? Faço parte de um time que é oposição ao que destruiu o Rio. Colar minha imagem ao Eduardo é uma estratégia óbvia, né? Vou mostrar que ele precisa de um senador próximo para liderar mudanças. Construí uma rede, até pela ausência dos senadores do PL. Falo com prefeitos e vereadores. O senhor se aliou a Benedita da Silva (PT). Como se diferencia de Monica Benício (PSOL), que busca o segundo voto dela? Nossa coligação é Paes, Benedita e Pedro Paulo. Tive apoio do presidente Lula. Vou defender o campo democrático em Brasília e combater o crime que tomou conta do Guanabara e da Alerj. Monica tem simpatia de setores da esquerda, natural. Também tenho eleitores de centro, até de centro-direita. Mas o fato de estar aliado a Benedita e Lula não quer dizer que pensemos igual. Temos visões diferentes na economia e convergimos nas pautas sociais e progressistas. Deputado federal Pedro Paulo em entrevista ao colunista do GLOBO Bernardo Mello Franco. — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo Eleitores de esquerda ainda o cobram pelo apoio ao impeachment de Dilma Rousseff. Como avalia? Cometi um erro. O tempo mostrou que a presidente Dilma não cometeu crime de responsabilidade. Eu me arrependo do voto. O extremismo que a gente vê hoje, a polarização, também é fruto daquele processo. Que compromissos assume com o eleitor lulista, caso seja eleito senador? Primeiro, a defesa intransigente da democracia contra qualquer ação antidemocrática ou tentativa de golpe. As pautas sociais também nos unem. Tenho muito orgulho de ter votado a favor do Pé-de-Meia, da ampliação do Bolsa Família, da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Defendi com orgulho o fim da escala 6x1. O que pretende dizer ao eleitor que rejeita Lula, mas não quer um bolsonarista no Senado? A Reforma Administrativa, com combate aos privilégios, é uma pauta que aproxima este eleitor. Vejo uma busca (dos bolsonaristas) pelo like, pela lacração. Quando você coloca a ideologia à frente, o resultado é o distanciamento dos senadores do Rio. O senador que fica xingando ministro do STF não pode pedir uma audiência. O senador que fica xingando o presidente não é recebido no Ministério do Transporte para discutir a concessão das rodovias. Não estarei no Senado para discutir Terra plana e ser contra a vacina, nem para discutir banheiro unissex e falar “todes”. Estarei lá para defender o Rio. O Rio tem muitos servidores federais. A defesa da Reforma Administrativa pode prejudicá-lo nas urnas? Pode criar alguma incompreensão. Só falar em reforma já cria rejeição, porque a última tentativa, no governo Bolsonaro, era radical, acabava com a estabilidade e demonizava o servidor público. O projeto que apresentei não toca uma vírgula na estabilidade. Mais de 20 centrais sindicais apoiam minha candidatura porque sabem que sou do diálogo. Os candidatos da direita prometem o impeachment de ministros do STF. Como avalia os pedidos que estão no Senado? Ninguém está acima da lei. Nem o trabalhador mais humilde, nem o ministro do STF. Os fatos que vieram à tona (sobre Alexandre de Moraes) são graves e precisam de esclarecimento. A investigação vai mostrar se há necessidade ou não de processo de impeachment por crime de responsabilidade. Mas não imaginem que vou ficar pedindo impeachment de ministro porque pensa diferente. Seus adversários têm explorado o episódio em que o senhor foi acusado de agredir sua ex-mulher. O caso foi arquivado no STF, mas acredita que ainda pode prejudicá-lo? Jamais agredi minha ex-mulher. Fui investigado e inocentado há dez anos. Não foi um simples arquivamento, foi uma declaração de inocência. Nos últimos quatro anos, a Câmara teve mais de 90 projetos de lei de proteção às mulheres. Votei a favor de todos. Meu adversário Carlos Jordy (PL) votou contra o projeto que endurece a pena contra o feminicídio. Como senador, vou propor o fim da progressão de pena para feminicida e estuprador. Precisamos tratar este assunto com seriedade, e não jogar no ar acusações falsas, que prejudicam o debate eleitoral. Se eleito senador, o senhor exercerá o mandato em Brasília ou ficará no Rio para integrar um eventual governo Paes? É uma honra quando meu nome é ventilado para ser secretário ou ministro, mas sou candidato ao Senado. Quero ser senador por oito anos para defender meu estado.