Candidato do PSD quer evitar que segundo voto de Benedita da Silva vá para o PSOL 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pedro Paulo é candidato ao Senado — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Principal aliado de Eduardo Paes (PSD), o deputado Pedro Paulo, que preside o partido no Rio, vem apostando na divisão do voto evangélico, na fragmentação da direita e em acenos à esquerda para se fortalecer na corrida ao Senado. A leitura do grupo mais próximo ao ex-prefeito é de que o momento exige um esforço para vincular o voto no deputado ao da outra candidata da chapa, a deputada Benedita da Silva (PT). Já a estratégia de dividir o eleitorado religioso veio de um movimento da chapa de Paes ao atrair o Podemos, do pastor Everaldo. A sigla lançou ao Senado o vereador Marcos Dias, irmão de Everaldo e pastor da Assembleia de Deus — a legislação eleitoral permite que uma sigla da coligação lance candidato à Casa de forma avulsa. A expectativa é que Dias dispute votos com o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), bispo licenciado da Igreja Universal, ampliando ainda o cenário de fragmentação dos votos à direita no Estado. No Rio, historicamente, candidatos com votos das igrejas costumam ficar com vaga ao Senado. Acenos em pautas Em outra frente, Pedro Paulo participou da convenção do PT estadual e de outros eventos com quadros do partido nas últimas semanas. Neles, fez discursos caros à militância de esquerda, como a defesa do fim da escala 6x1. “É bom lembrar: a Câmara já aprovou tanto o fim da escala 6x1 quanto a PEC da Segurança. Agora ambos os projetos estão parados no Senado, esperando andar, enquanto milhões de trabalhadores seguem sem tempo para a família, para estudar, para viver e temendo pelas suas vidas”, escreveu ao divulgar um ato de pré-campanha com petistas em São Gonçalo. A primeira suplência na chapa ficou com o PDT, que colocou o ex-deputado federal Miro Teixeira, figura histórica da política brasileira — teve 11 mandatos na Câmara e participou da Assembleia Constituinte. O posto era cobiçado porque Pedro Paulo, caso Paes seja eleito governador, é nome certo no secretariado, o que faria o suplente assumir o mandato. Ao celebrar a parceria com o partido trabalhista, o candidato ao Senado enalteceu Leonel Brizola, fundador e principal figura da sigla, que governou o Rio por dois mandatos nas décadas de 1980 e 1990. — O PDT trabalhista dos Cieps (Centros Integrados de Educação Pública) e ensino integral de Brizola e Darcy Ribeiro, além da gestão bem-sucedida de Rodrigo Neves, em Niterói — disse em evento. Pedro Paulo é um dos vice-líderes do governo Lula na Câmara, mas, dentro do núcleo duro de Paes, não é um dos mais simpáticos ao petismo, sobretudo na esfera econômica. Agora, no entanto, tem se agarrado às convergências. Na convenção do PSD que oficializou as candidaturas do partido, apontou que “ninguém tem dúvida” de qual presidenciável receberá o voto dele e de Paes na eleição. A chapa do Senado também foi construída com outros simbolismos. O segundo suplente é Sávio Neves (PSDB), que, além de primo do cacique tucano Aécio Neves, é sobrinho do ex-senador Francisco Dornelles, morto em 2023, que atuava como “guru” na política do Rio e foi classificado por Pedro Paulo como “exemplo de diálogo e cuidado com o interior”. Direita fragmentada No Rio, os atritos entre Pedro Paulo e a esquerda começaram há dez anos, na eleição municipal de 2016. A revelação do processo em que foi acusado de agredir a ex-mulher — arquivado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) — virou o principal mote da candidatura de Marcelo Freixo, então no PSOL, que conseguiu tirá-lo do segundo turno. O desafio da estratégia atual de Pedro Paulo é a candidatura de Monica Benicio (PSOL). Teme-se no entorno de Paes que a vereadora, viúva de Marielle Franco, consiga atrair parte significativa dos votos de Benedita e acabe prejudicando o candidato do PSD. Além deles, a direita tem as candidaturas do PL, que lançou o senador Carlos Portinho e o deputado federal Carlos Jordy. O partido da família Bolsonaro, cujo candidato ao governo é Douglas Ruas, ficou isolado no estado e montou uma chapa puro-sangue.
Pedro Paulo aposta na divisão entre evangélicos e nos acenos à esquerda na corrida pelo Senado do Rio
Candidato do PSD quer evitar que segundo voto de Benedita da Silva vá para o PSOL










