Postulante do PL ao Senado, deputado Jordy nega ser aliado do ex-governador Cláudio Castro e fala sobre disputa eleitoral no campo da direita pelas duas cadeiras em jogo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Carlos Jordy, candidato ao Senado — Foto: Guito Moreto Nesta semana, o GLOBO mostra as ideias e propostas dos principais candidatos às duas vagas para o Senado Federal pelo Rio de Janeiro. Postulante do PL, o deputado Carlos Jordy nega ser aliado do ex-governador Cláudio Castro e fala sobre disputa eleitoral no campo da direita pelas duas cadeiras em jogo este ano. Assista à entrevista: A chapa do PL tinha Cláudio Castro e Márcio Canella como candidatos ao Senado. Quando Castro desistiu, entrou Carlos Portinho. O senhor foi a quarta opção. Isso indica que seu partido não acreditava em suas chances? Não vejo dessa forma. Fui contrário às indicações de Castro e Canella. Isso contrariou boa parte dos eleitores de direita. Não me dei por vencido, não desisti. No fim das contas, Deus me honrou com a vaga. A coligação também tinha Rodrigo Bacellar como candidato ao governo. Todos caíram em escândalos. Como defender o legado deste grupo que governou o Rio até março? Nunca fui aliado de Castro e Bacellar. Pelo contrário. Quando eles eram reis no Rio, sempre os critiquei. Sempre disse que eles não poderiam ser nossos candidatos e que Castro precisava ser investigado. Não há essa associação que estão querendo fazer. Eduardo Paes (candidato a governador do PSD) diz que temos associação ao crime organizado. Quem tem é ele. Mas Castro é filiado ao PL. Isso não prejudica os candidatos do partido? Não temos visto isso na rua, sinceramente. Ao contrário. Douglas Ruas (candidato do PL a governador) ainda é desconhecido, como eu. Tem muito a acrescentar por sua experiência como secretário municipal e estadual. Ele foi secretário de Castro... Do Cláudio Castro. Mas olha o que ele fala: nunca olhou chefe, escolhe missão. Se o Castro me chamasse para uma missão, para uma secretaria em que pudesse fazer entregas, talvez eu avaliasse assumir. A eleição está nacionalizada, está polarizada. E o Douglas Ruas é o candidato do Flávio Bolsonaro. As pesquisas mostram que a disputa do Senado está embolada. O senhor tem dois rivais no campo da direita: Portinho e Crivella. Como se diferenciará deles? O 22 é forte porque é o partido do Flávio Bolsonaro e do presidente (Jair) Bolsonaro. Acaba atraindo o voto por gravidade. Quem são os candidatos corajosos para fazer o que tem que ser feito? Que podem chegar lá e defender que ministros do STF que tenham cometido abuso de autoridade, envolvidos com escândalos de corrupção, sejam responsabilizados? Outros não têm coragem porque têm rabo preso ou alinhamento ao STF. Concordam com essa perseguição porque está sendo feita contra a direita. Só esquecem que uma hora o chicote troca de mão. O senhor foi alvo da Operação Lesa Pátria da PF, que apurou o financiamento e a organização dos atos que culminaram no 8 de Janeiro. Como explica seu envolvimento? Fui alvo de uma covardia, uma injustiça. Não tive nada a ver com o 8 de Janeiro. Pegaram minha arma, meu computador, meu celular, meu passaporte diplomático. Não posso nem sair do Brasil pra viajar com a família. Só em ditaduras perseguem o líder da oposição dessa forma covarde. Essa é uma das razões que me leva a querer ser senador. O ministro Alexandre de Moraes ordenou essa operação. Sua pregação pelo impeachment dele é uma forma de vingança pessoal? Não é vingança pessoal. Jamais. Hoje há uma blindagem para que não haja investigações de ministros do Supremo. É preciso que o Senado assuma sua responsabilidade. Em 2025, o sr. foi alvo de outra operação da PF, a Galho Fraco, que apurou suspeitas de desvio de cota parlamentar no aluguel de carros. O que tem a dizer? Fizeram isso para me constranger e intimidar. Fizeram pesca probatória, mas não encontraram nada, mais uma vez. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, saiu em defesa de Moraes. Como viu esta fala? Foi horrível a declaração. Ele não está cumprindo seu papel como presidente do Congresso. Todo mundo sabe das relações dele com o Daniel Vorcaro. Alcolumbre indicou o presidente do fundo de previdência do Amapá, que colocou R$ 400 milhões (no Banco Master). Ele também precisa ser investigado. Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Vorcaro. Por que sua indignação não o alcança? São duas questões bem distintas. Vorcaro era considerado um empresário de sucesso, o cara que estava nas mais altas rodas de Brasília. Flávio pediu que ele patrocinasse o filme do seu pai. Não pediu recursos para ele, como é o caso do ministro Alexandre de Moraes e de sua esposa. O senhor costuma ser visto como bolsonarista radical. Este perfil se adequaria ao Senado? O que seria ser radical? Eu seria radical contra os agressores de mulheres. Na defesa intransigente da nossa democracia. Se isso é ser radical, talvez eu seja. Mas não sou uma pessoa radical. Tenho bom trânsito no Congresso. Agora, não fico em cima do muro. Sou um cara de convicções e sou respeitado por isso.