O candidato do PL ao governo do Rio, Douglas Ruas, buscou se desvincular na terça-feira (8) do ex-governador Cláudio Castro (PL), condenado por abuso de poder político e econômico pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e investigado nos casos do banco Master e Refit. Ruas, que foi secretário de Cidades de Castro, disse que nunca teve uma relação de intimidade, mas sim de trabalho com o ex-governador, e aproveitou para alfinetar o principal adversário na corrida pelo Palácio Guanabara, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD): “O Eduardo Paes tem uma relação de muito mais proximidade com o ex-governador do que eu. Até pouco tempo, eles ficavam trocando afagos pelas redes sociais sobre ingressos do Maracanã e da Sapucaí.” Vídeo: Assista à integra da entrevista Ruas abriu na terça-feira (8) a série de sabatinas dos jornais Valor, O Globo e Extra e da rádio CBN com candidatos ao governo do Rio. O candidato falou também das propostas dele caso vença a eleição dando ênfase à questão da segurança pública, assunto que está no topo das prioridades dos eleitores e no qual prometeu bonificar policiais por retomada de território. Disse ainda que deixará de contabilizar as mortes causadas por intervenção policial na medição de letalidade violenta das regiões do Estado. O critério atual reduz a nota de batalhões cujos policiais geram maiores índices de morte em confronto. Ruas tratou também da crise fiscal do Estado, de medidas de mobilidade urbana, dos baixos índices de educação do Estado, da corrupção sistêmica que tem assolado o Rio nos últimos anos e de apoio a cultura. Ruas, que é presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), aproveitou a entrevista para nacionalizar a campanha, associando-se ao candidato de seu partido à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), citando o nome do presidenciável em diversas ocasiões ao longo de 1h30 de entrevista. Também criticou duramente o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e fez um aceno ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso do banco Master, instituição na qual o Rioprevidência, fundo de pensão dos funcionários do Estado do Rio, fez aportes bilionários. “Eu peço a Deus que o André Mendonça consiga também restituir os ativos para os servidores do Estado do Rio de Janeiro, que são os verdadeiros proprietários daquele ativo financeiro que foi aportado de maneira indevida”, disse Ruas. A Quaest divulgou nesta terça-feira nova pesquisa de intenção de voto no Rio, segundo a qual Paes lidera com 39%, seguido de Ruas, com 18% e do ex-governador Anthony Garotinho, com 8%. Indecisos somam 16% e brancos e nulos, 14%. O instituto entrevistou presencialmente 1.302 pessoas entre sexta-feira (4) e segunda-feira (7). A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi contratada pela Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RJ-04768/2026. Na sabatina, Ruas reafirmou ser uma cara nova na política, apesar de ter participado da última gestão de Castro, que foi alvo de três operações da Polícia Federal nos últimos meses. Ruas disse que estava cumprindo uma “missão” no governo ao ocupar a secretaria de Cidades por quase três anos. Ao tentar se desvencilhar de Castro, empurrou o ex-governador para Paes, a quem chamou de “parceiro de copo” do ex-governador. As críticas a Paes surgiram depois do ex-prefeito apresentar Ruas, na propaganda eleitoral, como o “príncipe herdeiro” de Castro. Paes tem explorado ainda a relação entre Ruas e o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, preso preventivamente desde março, por suspeita de vazar informações sigilosas sobre operações policiais contra o crime organizado ao então deputado TH Joias, também preso por ligação com a facção criminosa Comando Vermelho. Ruas apoiou Bacellar na época em que o ex-chefe da Alerj era apontado como postulante ao Guanabara, mas se distanciou do ex-aliado após a prisão. Sobre a prisão de Bacellar, Ruas argumentou que “as condutas precisam ser individualizadas”. Aproveitou para citar integrantes da aliança de Paes, alvos de investigações, além de também tentar associar Bacellar ao candidato do PSD: “Casos sabidos de envolvimento com crime organizado que já se tornaram públicos, como a [ex-deputada estadual] Lucinha, pertencem ao partido PSD, que é do meu adversário Eduardo Paes. TH Joias, chegou à política pelo MDB (...) partido que indicou a vice do Eduardo Paes”, disse Ruas. Lucinha, citada pelo candidato, é ex-deputada estadual da base do PSD, e se tornou alvo de investigação sob suspeita de integrar o núcleo político de uma milícia, apontada como uma das maiores organizações criminosas do Rio. A candidatura dela foi barrada pelo próprio PSD, após uma resolução da convenção do partido. Ruas também lembrou em alguns momentos da aliança histórica de Paes com outro ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (MDB), que acumulou condenações na Lava Jato. Classificou ainda os quatro governos de Paes à frente da cidade do Rio como fracassos. “Quando a gente fala de mudança, a gente fala de uma mudança de uma geração de políticos que fracassou. Prometeram mudança, entregaram desculpa, colocaram a culpa em alguém. E eu estou representando uma nova geração que nasceu e cresceu ouvindo as promessas dos meus adversários, que cansou desses problemas e quer solução”, apontou o candidato do PL. Segurança pública Ao comentar o tema segurança pública, Ruas disse que não existe “licença para matar” para policiais, quando indagado sobre a alta letalidade da Polícia Militar do Rio de Janeiro, com mortes de inocentes, em confrontos com criminosos. O candidato defendeu a operação ocorrida em outubro de 2025 no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, onde mais de 120 pessoas morreram nos confrontos. Uma das propostas de Ruas para a segurança pública envolve a criação de um serviço de advocacia exclusivo para policiais em caso de mortes em operações. Ruas afirmou ainda que a atual política de segurança “pune” policiais que são recebidos a tiros ao chegarem a determinadas localidades onde há presença de crime organizado e revidam. “Ele [o policial] é rebaixado no ranking de metas e perde o bônus, a gratificação, na avaliação de desempenho da segurança pública. É como se a gente descontasse o salário do bombeiro que apaga o incêndio”, afirmou. O candidato do PL afirmou, no entanto, que é contrário à bonificação dada a policiais que ficou conhecida como “gratificação faroeste”. A expressão se relaciona a um bônus aprovado pela Alerj, em 2025, para policiais civis que executassem criminosos em confronto. Ruas propôs gratificar policiais por novos parâmetros de “avaliação de desempenho” que, segundo ele, incluirão um critério de “retomada do território”. Uma das principais propostas apresentadas pelo candidato foi a criação de uma estrutura com a participação da União para o enfrentamento do crime organizado. “Eu quero criar um gabinete permanente, política de Estado e não de governo, com a presença da Polícia Federal e das Forças Armadas (...) para que a gente possa, de fato, ter ações coordenadas”, disse Ruas. Ele prometeu ainda implementar o projeto chamado “Escudo Fluminense”, de monitoramento tecnológico com scanners nas fronteiras para combater a entrada de armas no Estado. Corrupção Ruas disse ainda apoiar o banimento de políticos que forem condenados por corrupção. Questionado se defenderia a medida para o ex-governador Claudio Castro, em cuja gestão se deram as aplicações do Rioprevidência no Master, o candidato do PL respondeu que ninguém está acima da lei. “Eu não defendo ninguém. No caso do RioPrevidência, eu também sou servidor, proprietário daquele patrimônio”. Também indagado se defenderia o mesmo rigor para Flávio Bolsonaro caso as investigações do Master indicarem alguma irregularidade envolvendo o presidenciável, Ruas afirmou: “Todos aqueles que tiverem qualquer envolvimento com desvio de recurso público, com práticas ilícitas, devem ser punidos com todo o rigor da lei.” O envolvimento de Flavio com Vorcaro veio à tona em maio, quando o Intercept Brasil publicou mensagens mostrando o senador pedindo dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme “Dark horse”, que trata sobre o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O candidato do PL também defendeu que o Congresso Nacional aprove uma legislação que impeça que condenados por corrupção “voltem à cena do crime”. Citou como exemplo o presidente Lula, que foi condenado “em três instâncias” e retornou em 2022 como candidato. Mencionou ainda Eduardo Paes, citado na Lava Jato, e fez uma metáfora: “No esporte de alto rendimento, se um atleta utiliza anabolizante e é pego, ele é banido, nunca mais participa de competição.” Lula foi investigado pela Lava-Jato, condenado e preso em 2018 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em dois processos, no caso do “triplex do Guarujá” e do sítio de Atibaia. Ex-presidente na ocasião, foi preso após condenação em segunda instância. Na época, o entendimento do STF era de que pessoas condenadas neste estágio poderiam começar a cumprir a sentença imediatamente, antes do trânsito em julgado, quando todos os recursos possíveis são esgotados. Com a mudança de entendimento pelo STF, Lula foi solto, em novembro de 2019, após 580 dias preso. Os processos foram anulados. Já Eduardo Paes chegou a ser investigado pela Lava-Jato, tornando-se réu pelos crimes de corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, e citado em delações premiadas. Porém, o STF suspendeu ações contra Paes na Lava-Jato, anulando processos ao não reconhecer provas apresentadas na ocasião como lícitas. Procurado para comentar as críticas de Ruas, a assessoria de Paes não retornou até o fechamento desta edição. Ruas disse ainda na sabatina que a “limpeza” promovida pelo governador em exercício Ricardo Couto tem o apoio dele e defendeu a punição a quem nomear pessoas a “cargos fantasmas” no Estado. Couto exonerou mais de 6 mil pessoas em cargos comissionados, sem concurso, e determinou auditorias em contratos considerados irregulares. O presidente da Alerj também buscou rebater suspeitas apontadas em uma auditoria da Controladoria-Geral do Estado (CGE) na atuação dele na secretaria de Cidade na gestão Castro. Segundo Ruas, a apuração do próprio governo teria “inúmeras inverdades”. Segundo O Globo, uma auditoria apontou possíveis irregularidades em um aditivo a um contrato para obras de asfaltamento de vias. “Já informei ao governador em exercício [Ricardo Couto] e vou levar a todas as consequências esse vazamento de informação”, disse o candidato do PL. Douglas Ruas afirmou ainda que o contrato em questão foi auditado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele também foi questionado sobre outra reportagem de O Globo, segundo a qual uma pedreira da família do deputado federal Altineu Côrtes (PL), padrinho político de Ruas, recebeu pagamentos de uma empresa contratada para obras de pavimentação da secretaria de Cidades. O candidato do PL respondeu que “não cabe” à secretaria fiscalizar quem são os fornecedores das empresas contratadas pela pasta. Contas públicas A adesão do Rio ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), do governo federal, rendeu críticas e elogios de Ruas. O candidato afirmou que vai manter os termos do acordo assinado pelo governador em exercício do Rio, Ricardo Couto. Porém, segundo ele, Lula vetou dispositivos que “permitiriam de fato” alívio nas contas públicas. Entre os vetos de Lula, derrubados no Congresso, está o uso de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), criado pela Reforma Tributária, para abater a dívida do Estado. Para ele, é preciso pensar em ajuste das contas do Estado com olhar para as despesas e não só para as receitas. O candidato disse torcer para que se confirme a previsão de Couto de um superávit de R$ 5 bilhões nas contas do Rio em 2026, Mas lembrou que a peça orçamentária enviada à Alerj para a elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) apontava déficit de R$ 13 bilhões. O candidato propôs a criação de um regime Estadual de teto de gastos para limitar as despesas ao crescimento das receitas, nos moldes da União. Ruas lembrou que foi criada uma comissão especial na Alerj dedicada à contenção dos gastos públicos, que realizou estudos sobre o tema. Nos últimos cinco anos, disse Ruas, as despesas do Rio aumentaram 43%, ao passo que as receitas cresceram 21%. Uma decisão judicial suspendeu, em julho, os trabalhos da comissão especial, cuja instalação era vista nos bastidores como um ato de retaliação às medidas de Couto, que incluíram a exoneração de servidores em cargos comissionados. Ruas afirmou que e Alerj não recorreu contra a decisão judicial porque o estudo feito pela comissão especial já estava “praticamente concluído”. E negou que a motivação para criar o grupo especial foi retaliar o governador em exercício. Ruas disse que, se eleito, pretende fazer com que seu programa de segurança pública tenha sucesso de modo que possa destravar o potencial do turismo no Estado ao mesmo tempo aumente a arrecadação e permita a implantação de políticas públicas, como efeitos de melhoria de indicadores. Mobilidade e educação No capítulo mobilidade, Ruas afirmou que pretende promover o programa “Rio na Pista”, que inclui a concessão de incentivos fiscais para aquisição de motos por pessoas que usam o veículo para trabalhar, como entregadores de aplicativos. Segundo ele, o governo do Estado sempre enfatizou grandes empresas para o recebimento de benefícios fiscais, abrindo mão de receita de impostos para, em contrapartida, gerar emprego e renda para a população. Por outro lado, pessoas que têm na moto um instrumento de trabalho não têm o mesmo benefício, embora arquem com custos e riscos da profissão. Ele disse ainda que moradores de cidades localizadas ao leste da capital fluminense, como Niterói e São Gonçalo têm ouvido, nos últimos 30 anos, promessas de que a Linha 3 do metrô sairá do papel. A Linha 3 pretende ligar o Rio a Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, com a previsão de construção de um túnel subaquático, que cruzaria a Baía de Guanabara. Segundo o candidato, quem “deu um passo” para que a linha saia do papel foi Flávio Bolsonaro, que é senador pelo Rio. Ruas disse que emendas de Flávio permitiram à UFRJ realizar estudo de viabilidade da Linha 3, com previsão de serem concluídos no fim do ano que vem. Na educação, Ruas classificou a situação do Rio como “vergonhosa". Disse que prefeitura do Rio, que foi comandada por Paes, ao promover "aprovação automática" estaria "enganando pais e mães" com medidas que fazem o aluno "passar de ano sem ter o aprendizado". Também defendeu a expansão das escolas cívico-militares, dizendo que as 17 unidades existentes no Estado possuem notas no IDEB superiores à média nacional. Na cultura, reafirmou que não vai incentivar megashows com artistas estrangeiros e disse que o Estado não terá mais camarote no Sambódromo da Sapucaí.
Douglas Ruas busca se desvincular de Cláudio Castro e associa ex-governador a Eduardo Paes
Candidato do PL abre sabatinas do Valor, O Globo, Extra e CBN com postulantes ao Guanabara












