Entorno do senador avalia que decisão favorável da Corte não dá aval para repetir estratégia na propaganda eleitoral e prefere recorrer a registros reais do ex-presidente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro se emociona durante mensagem de versão IA do pai, Jair Bolsonaro, durante convenção do PL — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai manter a cautela no uso de inteligência artificial para explorar a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter rejeitado nesta terça-feira a aplicação de multa pela exibição de um vídeo que simulava uma manifestação do ex-mandatário. A avaliação do entorno do candidato é que a decisão se restringe ao caso julgado e não elimina o risco de novas peças serem questionadas na Justiça Eleitoral. Para manter Bolsonaro presente na campanha, a equipe pretende recorrer principalmente a imagens, vídeos e declarações antigas do ex-presidente. O material já vem sendo usado no horário eleitoral e também em montagens exibidas em eventos, em substituição a novas recriações por inteligência artificial. Um exemplo foi publicado pelo próprio Flávio nesta terça-feira. O candidato recuperou no Instagram um trecho de uma entrevista de Bolsonaro de fevereiro de 2025, na qual o ex-presidente aparece chorando e afirma: “Aconteça o que acontecer comigo, a verdade chegará na hora certa”. O registro, feito mais de um ano antes da campanha, foi usado agora pelo filho. No horário eleitoral, a campanha também tem recorrido ao acervo do ex-presidente para reforçar a ligação entre os dois. Bolsonaro ganhou espaço já na estreia de Flávio na televisão, com registros antigos usados para apresentar o candidato como herdeiro político do pai. A estratégia permite manter o ex-presidente na propaganda mesmo sem produzir novas manifestações dele. A alternativa começou a ser desenhada enquanto o julgamento ainda estava pendente. Interlocutores da campanha dizem que a repercussão do vídeo produzido por IA gerou um desgaste considerado desnecessário e levou a equipe a buscar outras formas de manter Bolsonaro associado ao filho. Com esse plano já montado, a decisão favorável do TSE não deve levar a uma mudança de rota. O vídeo que levou o caso ao TSE foi exibido na convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio. Produzida com inteligência artificial, a peça simulava Bolsonaro afirmando estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”, dizia que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança” e pedia aos apoiadores que recebessem Flávio “de braços abertos” como candidato à Presidência. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, acionou a Justiça Eleitoral e pediu a punição do candidato. A cautela da campanha após o julgamento leva em conta os fundamentos usados pelo TSE para afastar a multa. Por quatro votos a três, a maioria entendeu que o vídeo havia sido exibido em um contexto específico: uma convenção partidária, ainda na pré-campanha, com uma manifestação de apoio dirigida aos integrantes do partido. Os ministros consideraram que a transmissão do evento pela internet, apesar de ampliar seu alcance, não transformou a manifestação em propaganda eleitoral dirigida ao eleitorado. A legislação permite na pré-campanha a divulgação de pré-candidaturas e pedidos de apoio político, desde que não haja pedido explícito de voto. Ao mesmo tempo em que afastou a multa, o TSE fixou parâmetros para o uso de deepfakes nas eleições. A Corte estabeleceu que o conteúdo precisa ser sintético, produzido ou manipulado por inteligência artificial ou tecnologia equivalente, ter realismo ou verossimilhança e criar, reproduzir ou alterar imagem, voz ou manifestação de uma pessoa. O tribunal definiu ainda que a proibição prevista nas regras eleitorais depende de o conteúdo ser caracterizado como propaganda eleitoral. Durante o julgamento, os ministros retiraram da tese a exigência de “elevado grau” de realismo ou verossimilhança, mantendo apenas “realismo ou verossimilhança”. A decisão foi dividida. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva abriu divergência por considerar que havia caráter eleitoral na divulgação do vídeo e, portanto, o conteúdo deveria estar sujeito às regras que proíbem deepfakes. Ele foi acompanhado por Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha. A leitura feita pelo jurídico da campanha é que o resultado não dá segurança para repetir a estratégia agora. Uma nova recriação de Bolsonaro, já durante o período oficial da campanha e destinada ao eleitorado, estaria em uma situação diferente da analisada pelo TSE. Por isso, a orientação é seguir com o acervo antigo do ex-presidente. Em eventos, a campanha deve montar colagens com registros de Bolsonaro, recurso que já começou a ser usado. Na convenção do PL em Santa Catarina, em 1º de agosto, o material exibido compilava vídeos, áudios e imagens do ex-presidente para contar sua trajetória política. No horário eleitoral, a previsão também é continuar aproveitando imagens reais para reforçar a associação de Flávio com o pai.
Campanha de Flávio vai moderar uso de IA mesmo após decisão do TSE e aposta em imagens antigas de Bolsonaro para fazer associação
Entorno do senador avalia que decisão favorável da Corte não dá aval para repetir estratégia na propaganda eleitoral e prefere recorrer a registros reais do ex-presidente








