Desde a posse no atual mandato, os Estados Unidos perderam 62 mil vagas no setor manufatureiro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: Saul Loeb/AFP Donald Trump deflagrou sua política protecionista com uma meta: “Tornar os Estados Unidos novamente grandiosos”, bordão de seu movimento político Maga (Make America Great Again). O objetivo declarado é recriar empregos industriais, sobretudo no Meio-Oeste castigado pela globalização. A ironia é que, precisamente nesse objetivo, a política comercial de Trump tem até agora fracassado, apesar de a tarifa média de importação ter mais que quadruplicado. Nem as importações nem o déficit comercial diminuíram (o déficit atingiu em julho o maior nível desde antes dos tarifaços). Em contrapartida, houve perda de 62 mil vagas no setor manufatureiro desde a posse de Trump. É verdade que, de janeiro a julho deste ano, 31 mil novos empregos surgiram. Os responsáveis pelo saldo positivo, porém, são dois dos setores que pagam as menores tarifas da indústria: o aeroespacial e a cadeia ligada à inteligência artificial (IA). Os defensores do protecionismo alegam que a produção industrial tem crescido e apontam para várias fábricas que têm sido trazidas para o território americano, em especial no setor automotivo. É fato que a fabricação de veículos cresceu quase 10% entre dezembro do ano passado e julho. Mas a explicação não está nas barreiras comerciais. A confusão causada pelo vaivém nos tarifaços de Trump jogou a base de comparação para baixo. Quando as cadeias de produção recobraram alguma estabilidade, a produção voltou. Noutros segmentos industriais em alta, os motores do crescimento são o dinamismo de novas tecnologias, em especial a IA, ou mesmo políticas adotadas por Joe Biden, como a legislação para favorecer a transição energética. A expansão desses setores é anterior à volta de Trump à Casa Branca. As montadoras de veículos, observadas com atenção por Trump, responderam rapidamente à nova política de barreiras comerciais. Várias congelaram investimentos no exterior e anunciaram novas fábricas nos Estados Unidos. Mas grandes mudanças em estruturas fabris levam tempo para maturar. E, mesmo quando a capacidade de produção de automóveis der um salto, é pouco provável que sejam criados muitos empregos, já que a mão de obra nos Estados Unidos é cara – e as fábricas estão cada vez mais robotizadas. A realidade, porém, é o que menos importa para Trump. Ele continua comprando briga com o mundo todo. O Canadá, alvo mais recente, decidiu abandonar negociações comerciais por achar as demandas americanas inaceitáveis, depois de uma saraivada de retaliações. No início do ano, a Suprema Corte derrubou um dos tarifaços do ano passado. Contrariado, Trump voltou à carga usando brechas noutras leis. A sobretaxa de 12,5% imposta em julho a mais de 80 parceiros comerciais, responsáveis por mais de 99% das importações americanas, foi sua última investida e tem tudo para ser derrubada pela Justiça. Nada do que tem acontecido em decorrência do protecionismo tem contribuído para a almejada grandiosidade dos Estados Unidos. Muito pelo contrário.
Protecionismo de Trump fracassou ao criar novos empregos industriais
Desde a posse no atual mandato, os Estados Unidos perderam 62 mil vagas no setor manufatureiro







