Trump usa tarifas como pressão sobre seus parceiros; como o Brasil pode lidar com isso?O colunista Marcos Jank observa que o País precisa melhorar as relações, 'machucadas', para buscar ampliar a lista de exceções, enquanto diversifica mercados. Crédito: Edição: Ariel LiborioGerando resumoO mercado de trabalho nos Estados Unidos registrou uma perda modesta de empregos em julho, como resultado de empresas cortando vagas diante da retomada de tarifas e do aumento de custos impulsionado pela guerra no Oriente Médio.PUBLICIDADEEmpregadores eliminaram, de forma líquida, 23 mil postos de trabalho no mês passado, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira, 7. A taxa de desemprego caiu ligeiramente para 4,1%, uma vez que centenas de milhares de pessoas deixaram a força de trabalho.O resultado, pior que o esperado, sucede o que parecia ser um forte aumento na criação de empregos no início do ano, impulsionado pelo otimismo com cortes de impostos, uma trégua em novas tarifas, a redução das taxas de juros e a inflação mais baixa. No entanto, esses números também sofreram revisões para baixo, totalizando uma redução de 103 mil vagas.PublicidadeMercado de trabalho nos EUA mostrou retração Foto: Nam Y. Huh/APDesde então, os custos dispararam com a paralisação dos embarques de petróleo do Golfo Pérsico, enquanto o governo de Donald Trump retomou sua ofensiva contra as importações. Paralelamente, está cada vez mais difícil encontrar trabalhadores, visto que o ritmo da imigração desacelerou substancialmente.Confira outros pontos importantes dos dados divulgados nesta sexta-feira:Saída da força de trabalhoA taxa de participação na força de trabalho para todas as faixas etárias caiu 0,1 ponto porcentual, para 61,4%. Uma preocupação maior é que a queda acentuada registrada em junho na taxa de participação de pessoas na faixa etária de maior produtividade - entre 25 e 54 anos - não foi totalmente revertida. O índice está agora em 83,4%, uma leve queda em relação ao pico de 84%.PublicidadeAumentos salariais mais lentosO ganho médio por hora subiu 3,2% no acumulado do ano, um ritmo mais lento do que a taxa anual de 3,5% observada nos meses anteriores. O Departamento do Trabalho divulgará o índice de preços ao consumidor de julho na próxima semana; o dado revelará se os trabalhadores ganharam ou perderam poder de compra ao se considerar a alta dos preços.Leia tambémBC dos EUA mantém juros entre 3,50% e 3,75%, apesar de inflação persistenteTrump quer lucrar com venda de acesso antecipado a suas postagens nas redes sociais; entendaSetores em crescimentoO setor de saúde continuou gerando empregos, com a criação de 22 mil vagas em julho, embora em um ritmo mais lento do que a média de 36 mil registrada nos 12 meses anteriores. A construção civil também adicionou 22 mil postos. A maioria dos demais setores permaneceu praticamente estável, com exceção de lazer e hotelaria, que perderam 83 mil empregos nos últimos dois meses - um resultado surpreendente, dada a movimentação em torno da Copa do Mundo.Tendência de estabilidadeOs pedidos de seguro-desemprego não mostram sinais de aumento. As vagas de emprego, a taxa de contratação e a proporção de pessoas que pedem demissão pararam de cair, mas também não apresentaram uma trajetória de alta convincente.PublicidadeClima de pessimismoA confiança dos trabalhadores caiu para mínimas históricas em julho, segundo o Glassdoor, site de avaliações de empresas. O Conference Board informou que a parcela de trabalhadores que consideram difícil conseguir emprego subiu para 22,5% em junho - dado mais recente disponível e o nível mais alto desde janeiro de 2021.O foco do Federal ReserveEsse relatório tem pouca relevância para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), que receberá os dados de agosto antes de sua próxima reunião, em setembro. Os membros do comitê têm demonstrado maior preocupação com a inflação, confiantes de que o mercado de trabalho permanece saudável por enquanto.Vale ler tambémQual o Estado brasileiro com mais filhos sem a presença dos pais nos lares? Bancos privados fecham 2 mil agências e cortam 14 mil vagas em um anoAbono salarial: que tal cortar R$ 30 bi de gasto desprovido de evidência de atender política social?
Contratações nos EUA registram queda em julho, um sinal preocupante para a economia
Foram eliminadas 23 mil vagas no mês passado, número pior do que as estimativas do mercado











