A alta dos juros longos é um fenômeno global. O Treasury americano de 30 anos superou 5,20%, maior nível desde 2007; o Bund alemão de dez anos rompeu 3,3%, o maior desde 2011; os gilts britânicos de longo prazo estão na máxima em quase três décadas; e o título japonês de 20 anos está no pico desde 1999.

Nos Estados Unidos, porém, essa alta preocupa mais dada a importância global e a robustez do mercado acionário americano, que, em tese, deveria sofrer com o maior custo de oportunidade de investir em ações. Até quando essa resiliência se sustenta?

A explicação mais óbvia seria sobre a desancoragem das expectativas de inflação. Afinal, a inflação americana roda acima da meta há mais de 65 meses. Como as expectativas de médio e longo prazo não subiram de forma relevante, podemos descartar essa hipótese. Restam, então, quatro possibilidades concorrentes, e não excludentes entre si.

A primeira é a expectativa de uma política monetária restritiva por mais tempo. A taxa longa reflete a média das taxas curtas esperadas somada a um prêmio de risco. Se o mercado acredita que o Fed manterá os juros elevados ou trará novas altas, a ponta longa da curva sobe, mesmo sem mudanças na inflação esperada. A mensagem do presidente do Fed, Kevin Warsh, continua sendo a de que ainda há trabalho a fazer para trazer a inflação de volta à meta.