Economista observou que, enquanto há um aumento na demanda por recursos para empréstimos e os juros estão subindo, três compradores de títulos americanos importantes estão se tornando menos confiáveis 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Em meio ao aumento da dívida pública nos Estados Unidos, Mohamed El-Erian, economista e consultor econômico da Allianz, avalia que a intervenção anunciada neste mês pelo Tesouro americano no mercado de Treasuries demonstra fraqueza aos olhos dos investidores. Ao participar de um evento promovido pelo BTG Pactual, ele também disse que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) tem cometido muitos erros. "Em vez de fazer uma consolidação fiscal, o Tesouro resolveu intervir. Isso está sendo visto agora como um grande erro, que sinaliza fraqueza", disse El-Erian em um painel no evento. Ele observou que, enquanto há um aumento na demanda por recursos para empréstimos e os juros estão subindo, três compradores de títulos americanos importantes estão se tornando menos confiáveis: a China, por questões geopolíticas; o Golfo, na medida em que os países da região têm precisado de maior financiamento interno; e o Japão. Neste mês, o secre tário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou um aumento nas operações de recompra de títulos públicos de longo prazo, em uma tentativa de diminuir os rendimentos e trazer maior liquidez ao mercado. El-Erian também considera que o Fed tem cometido erros, que têm sido "numerosos e frequentes", e acredita que a agenda de reformas trazida por Kevin Warsh, novo presidente da autoridade monetária, é "bem-vinda". "A comunicação tem sido ruim e há muitos estudos que mostram que ela tem aumentado a volatilidade, em vez de diminuí-la", pontuou o economista, como um exemplo. "Suas projeções têm sido ruins. O Fed não conseguiu cumprir sua meta [de inflação]. E, como se não fosse suficiente, cinco autoridades do Fed tiveram que deixar seus cargos por acusações de irregularidades financeiras." "Nós damos boas-vindas a isso [agenda de reformas no Fed], porque finalmente há alguém disposto a admitir que o mercado estava em outro lugar, que o Fed vinha sendo condicionado pela dependência de dados", disse o economista, em referência à agenda de reformas no Fed por parte de Warsh. El-Erian acredita que há um certo descompasso na maneira como os participantes do mercado estão interpretando a postura do novo presidente do Fed, na medida em que os investidores estavam acostumados com um banco central dependente de dados e que "olha para trás" nos últimos anos. "Warsh diz que quer ser orientado para o futuro, mas o mercado diz que está acostumado a um Fed que olha para trás", afirmou o economista. Ele também acredita que Warsh não foi tão "hawkish" (propenso a subir juros) quanto interpretado pelos participantes do mercado em seu discurso no Jackson Hole, na sexta-feira. O consultor econômico chefe da Allianz, Mohamed El-Erian — Foto: Leo Rodrigues/Valor
El-Erian diz que intervenção do Tesouro dos EUA em Treasuries mostra fraqueza e critica erros do Fed
Economista observou que, enquanto há um aumento na demanda por recursos para empréstimos e os juros estão subindo, três compradores de títulos americanos importantes estão se tornando menos confiáveis






