Pesquisa Quaest mostra eleição presidencial apertada e motiva investidores a tomarem risco diante de uma possível mudança de abordagem sobre a trajetória da dívida pública 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Painel da B3, a Bolsa de São Paulo — Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo O principal índice da Bolsa de São Paulo voltou a fechar em alta nesta quarta-feira. Em valorização pela 11ª sessão seguida, o Ibovespa chegou a superar os 186 mil pontos, mas encerrou em avanço de 3,05%, aos 185.205 pontos. É o maior nível para o indicador desde 6 de maio e a maior valorização num único dia desde 23 de março. Para analistas, o desempenho desta quarta-feira foi reflexo da pesquisa Quaest, divulgada pela manhã, mostrando um aperto entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) de um ponto percentual num eventual segundo turno. O dólar caiu a R$ 5,10. — O fator primordial nessa melhora se deve à queda na vantagem do Lula no 2º turno das pesquisas presidenciais. Isso tem contribuído para uma melhora geral dos ativos brasileiros — afirmou Nicolas Borsoi, estrategista-chefe da Tulett Prebon, que viu a pesquisa contribuir com “uma maior disposição à tomada de risco pelos investidores”. Esse apetite também contribuiu com a redução dos juros futuros, que estimam a trajetória da Taxa Selic e da inflação nos próximos anos. — Há alguns sinais de que uma continuidade (de Lula) não é tão óbvia como se imaginava, e as pesquisas têm mostrado isso — diz Fernando Siqueira, chefe de pesquisa da casa de análise da Eleven Research. O movimento foi uma extensão do pregão de terça-feira. As notícias envolvendo a conexão entre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, também alimentaram, na visão dos investidores, uma possibilidade maior de alternância de poder no ano que vem. Para Frederico Nobre, gestor de ações da Warren Investimentos, a revelação das trocas de mensagens entre Moraes e Vorcaro também tendem a prejudicar a campanha de reeleição do incumbente: — Esse gatilho com um ministro do STF acaba pesando com a proximidade que a população entende ter com o governo Lula. E o mercado se anima — disse. Bruno Lima, gestor de ações da Bradesco Asset Management explica que o mercado financeiro vê numa eventual alternância de mandato maiores chances do governo conter o crescimento da relação entre a dívida pública e o PIB. A trajetória de alta enseja juros mais altos, o que é negativo para a renda variável diante da maior vantagem da renda fixa. — Por que o juro está nesse nível tão alto? Pelo prêmio de risco que os investidores exigem de um país que tem crescimento de gasto público muito elevado. O fato é que o mercado percebe um pouco mais de propensão dos candidatos de direita a fazer um pouco mais dos ajustes necessários, como controle de despesas, alguma privatização, o que ajuda (na dinâmica dos juros) — ele diz. Para Lima, a sequência de onze altas reflete um “nível de preços muito atraentes” após a saída forte do investidor estrangeiro no mês de agosto. No mês passado, a classe sacou R$ 18,1 bilhões no mercado acionário local, o maior desinvestimento para um único mês desde março de 2020, no início da pandemia. O desinvestimento fez as ações retornarem a um patamar onde as companhias são, na avaliação do gestor, negociadas com desconto do que realmente deveriam valer. — Os níveis de preços estão muito estressados. Com possibilidade maior de ter algum ajuste, se reduz o “prêmio”. O nível de preços dos ativos brasileiros volta a chamar a atenção do estrangeiro — afirma. A perda de fôlego do PIB do segundo trimestre, divulgado na terça-feira, também contribuiu com a leitura de que possa haver espaço para mais duas reduções na Taxa Selic até o fim do ano. Pela Taxa de Depósito Interbancário (DI), o mercado estima ao menos duas reduções de 0,25 ponto, em setembro e novembro, o que poderia levar a Taxa Selic a 13,5%. O movimento contribuiu com a entrada de recursos internacionais no Brasil, avalia Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, e a consequente queda do dólar: — Você tem uma expectativa de juros menores lá na frente, e isso abre espaço para um cenário benigno de renda variável. Favorece um fluxo de entrada de recursos — diz ela.