Perto do fechamento, o real apresentava o segundo melhor desempenho do dia, atrás apenas do won da Coreia do Sul 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Dólar tem forte queda após pesquisa indicar disputa eleitoral mais apertada — Foto: Moe Zoyari/Bloomberg O dólar à vista exibiu forte desvalorização frente ao real na sessão desta quarta-feira. O movimento de queda se consolidou após a divulgação da pesquisa Quaest, que apontou para uma disputa presidencial mais acirrada neste ano. Com isso, a moeda brasileira apresentou um dos melhores desempenhos entre as 33 divisas mais líquidas. Perto do fechamento, o real apresentava o segundo melhor desempenho do dia, atrás apenas do won da Coreia do Sul. Encerradas as negociações desta quarta-feira, o dólar à vista fechou negociado em queda de 0,91%, cotado a R$ 5,1085, depois de chegar à mínima de R$ 5,0977 e distante da máxima de R$ 5,1698. Já o euro comercial recuou 0,90%, a R$ 5,9197. Perto das 17h05, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,09%, aos 99,590 pontos. Pela manhã, o dólar chegou a avançar frente ao real, mas logo após a divulgação da pesquisa Quaest houve uma reversão no movimento. Os dados mostraram que a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficou mais apertada no segundo turno, quando o petista teria 42% dos votos contra 41% de Flávio. Diante disso, operadores de câmbio reforçaram a leitura de ontem de que uma corrida eleitoral mais acirrada entre os candidatos à Presidência poderia estar aliviando a percepção de risco fiscal. O economista-chefe da Neo Investimentos, Luciano Sobral, afirma que diante dos fundamentos do real, o câmbio brasileiro deveria estar até mais apreciado. “Pelo [movimento do] dólar global e pelos nossos fundamentos, como termos de troca e diferencial de juros, era para estarmos vendo o dólar abaixo de R$ 5,00", afirma. “Mas desde o meio do ano, a nossa moeda anda pior do que os pares de países emergentes que olhamos aqui, como México, Colômbia, Chile e África do Sul. E atribuímos isso ao risco das eleições.", afirma. Sobral lembra que a reação do mercado às chances de vitória de cada candidato é diferente por conta das perspectivas de ajuste fiscal. “O que estamos vendo agora [nos mercados] é uma mudança nos preços por conta das mudanças também nas probabilidades de vitória. Se há uns 10 dias Lula tinha cerca de 65% de chance de vitória, agora parece estar algo mais empatado. Então, o movimento desses últimos dias é um ajuste em torno de uma eleição mais disputada”, acrescenta. “Mas não vejo passando muito desse patamar porque a eleição vai ficar incerta até o fim, então essa correção não tem muito mais espaço.” Apesar da dinâmica local ter ajudado a formar o preço, agentes também apontaram para o ambiente global, em dia em que o dólar perdeu força em outros mercados. “O cenário externo também pode estar dando algum suporte, já que outras moedas pares também estão entre as mais valorizadas no dia”, lembra um gestor. De fato nesta sessão, o won sul-coreano tem forte valorização, assim como o rand sul-africano, o peso colombiano e a rupia indiana. Moedas ligadas a preços de petróleo, como o dólar canadense e a coroa norueguesa, também apreciaram, indicando que a commodity em alta pode ter dado suporte às divisas.