Câmbio doméstico reage à perspectiva de disputa presidencial mais acirrada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Notas de dólar — Foto: Dimas Ardian/Bloomberg O dólar à vista recuou com consistência frente ao real na sessão desta segunda-feira, em um movimento que refletiu o menor risco embutido em ativos domésticos, diante de mais pesquisas eleitorais confirmando que a disputa presidencial deve ser acirrada neste ano. Com chances de mudança na condução da política fiscal, o prêmio cobrado dos ativos locais desinflou neste pregão e abriu espaço para um viés mais construtivo neste começo da semana. Apesar disso, houve piora no dólar casado, diferença em pontos entre a cotação do dólar futuro e o dólar à vista. Encerradas as negociações desta terça-feira, o dólar fechou negociado em queda de 0,86%, cotado a R$ 5,0857, depois de ter batido na mínima de R$ 5,0715 e encostado na máxima de R$ 5,1277. Já o euro comercial exibiu desvalorização de 0,78%, a R$ 5,9112. Perto do fechamento, o real aparecia com o segundo melhor desempenho do dia entre as 33 moedas mais líquidas, atrás apenas do peso chileno. Já o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,32%, aos 98,860 pontos. Desde o começo do dia, o câmbio brasileiro apreciou e se destacou globalmente. Operadores disseram que, ainda que o ambiente externo tenha sido favorável, o real se sobressaiu por causa da perspectiva de alternância da política econômica. “Não vejo outro ‘driver’ para o dia de hoje. Além disso, os outros mercados locais também estiveram bem. Juros longos fechando [caindo], bolsa subindo”, aponta o trader de uma grande gestora local. O diretor de investimentos (CIO) da SulAmerica Investimentos, Luis Garcia, vai na mesma linha. Hoje foi um dia fácil de explicar o movimento dos mercados”, diz. “Quando você compara o desempenho do Brasil e o de outros países nesta terça, você percebe que foi algo local que mexeu com os preços. E o único fator doméstico foram as pesquisas de eleição, que corroboram a leitura de que a disputa presidencial neste ano vai ser mais acirrada do que parecia há um mês.” Garcia diz que, embora a volatilidade possa aumentar no dia após as votações, até lá ele espera não ver os preços dos ativos fugindo muito para um lado ou para outro, já que a incerteza deve permanecer no radar. “Caso esse cenário competitivo se mantenha, é difícil ver os preços serem empurrados para alguma direção”, diz. “A volatilidade contratada deve ser no dia posterior ao do resultado. Até lá, essa disputa apertada pode deixar os mercados ‘encaixotados’ entre duas forças de mesma magnitude. Os investidores irão se posicionar de acordo com que acreditam, mas sempre olhando para o tamanho da perda. O ser humano, em geral, é mais avesso à perda do que propenso ao ganho.” O banco ING diz, em nota, esperar que o real mantenha os ganhos recentes e continue apresentando desempenho superior ao dos contratos a termo, “cujos rendimentos implícitos de três meses estão em torno de 12,3%”. “O mercado aponta que o Banco Central ainda pode cortar a taxa básica de juros em mais 0,50 ponto percentual, para 13,50%, mas isso dependerá em grande medida do resultado das eleições.” Operadores também chamaram atenção para a piora no dólar casado, a diferença em pontos entre a cotação do dólar futuro e a cotação do dólar à vista. O spread da taxa do casado em relação a taxa efetiva do Fed funds rondou acima de 1,5%. “Teve uma piora, mas nada brusco. Na semana passada, já havia uma pressão”, diz um gestor, na condição de anonimato. Não houve relatos de algum fluxo grande de saída, pelo contrário, houve menção a uma venda de dólares por um grande banco estrangeiro. “Ocorre que quando o real se fortalece, o pessoal aproveita para comprar dólar e mandar dinheiro para fora, investir no exterior. Então, pode ter essa saída menos concentrada”, diz um gestor, acrescentando que o mês de setembro encerra trimestre e é comum nesse período o casado ficar mais pressionado por conta de fluxos sazonais de saída.
Dólar recua e real é uma das moedas mais fortes do dia com eleições no radar
Câmbio doméstico reage à perspectiva de disputa presidencial mais acirrada
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