Embora companhias aéreas europeias e americanas não sobrevoem a Rússia devido à guerra, empresas de países como China, Turquia e Emirados Árabes Unidos ainda sobrevoam a região 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fala durante uma entrevista coletiva com o presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic (não retratado), durante sua visita a Belgrado, na Sérvia, em 8 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Marko Djurica/Foto de arquivo O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou companhias aéreas e seguradoras nesta terça-feira de que a presença de drones ucranianos tornou perigoso o uso do espaço aéreo russo e que ele está, na prática, fechado. “Hoje, queremos alertar todas as companhias aéreas que usam o espaço aéreo russo, todas as seguradoras e todos aqueles que ainda utilizam os principais aeroportos russos: o céu da Rússia está se tornando completamente perigoso”, disse Zelensky em seu pronunciamento noturno em vídeo. A Ucrânia não representa uma ameaça à aviação civil, afirmou, “mas haverá drones nos céus da Rússia e isso precisa ser devidamente levado em consideração”. “Embora as autoridades russas não estejam anunciando isso adequadamente, o espaço aéreo russo estará, na prática, se fechando. A guerra iniciada pela Rússia está fechando seus próprios céus”, acrescentou o presidente da Ucrânia. A Rússia intensificou seus ataques aéreos contra Kiev e outras cidades nas últimas semanas. O ataque mais recente de Moscou matou 12 pessoas e deixou muitas outras feridas. A Ucrânia respondeu com frequentes ataques de drones contra alvos russos, muitos deles ligados à indústria petrolífera do país, além de estabelecimentos comerciais. Embora companhias aéreas europeias e americanas não sobrevoem a Rússia devido à guerra, o espaço aéreo é utilizado por outras empresas de países como China, Turquia, Emirados Árabes Unidos e outros países do Golfo. Companhias aéreas americanas afirmam que o uso do espaço aéreo russo proporciona a essas empresas uma vantagem ao permitir economia de tempo e combustível. Aviões estão estacionados no Aeroporto Internacional de Sheremetyevo, nos arredores de Moscou, na Rússia, em 19 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Marina Lystseva/Foto de arquivo A dimensão total do risco que os drones ucranianos representam para a aviação sobre a Rússia, o maior país do mundo em extensão territorial, não está clara, mas já houve incidentes fatais na região envolvendo aeronaves civis atingidas por engano. A empresa de consultoria de risco para a aviação Osprey Flight Solutions afirmou em um alerta a clientes que, embora a maioria dos ataques ucranianos com drones e mísseis provavelmente ocorra em um raio de 300 quilômetros da fronteira, ataques diários em áreas mais profundas do território russo são quase certos ao longo de 2026, inclusive nas proximidades de Moscou e São Petersburgo. “Há também uma possibilidade realista de que a frequência dos ataques ucranianos continue aumentando no curto prazo em áreas mais profundas do território russo”, afirmou o alerta. “Avalia-se que erros de cálculo e/ou de identificação sejam prováveis em áreas relacionadas ao conflito na Ucrânia.” A Osprey afirmou que as defesas aéreas militares russas incluem sistemas convencionais de mísseis terra-ar capazes de operar em todas as altitudes. No ano passado, o principal tribunal de direitos humanos da Europa considerou a Rússia responsável pela derrubada, em 2014, de um avião de passageiros da Malásia que voava em altitude de cruzeiro sobre o leste da Ucrânia, onde havia combates. O presidente russo, Vladimir Putin, disse no ano passado ao líder do Azerbaijão que dois mísseis russos haviam detonado ao lado de um avião da Azerbaijan Airlines em 2024, depois que drones ucranianos entraram no espaço aéreo russo, em um incidente que deixou 38 mortos.