Visita de Ursula von der Leyen a Kiev ocorre em meio a promessas de reforço da indústria de defesa ucraniana e a novos bombardeios de Moscou 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, entrega a Ursula von der Leyen a Ordem da Europa durante cerimônia do Dia da Soberania, em Kiev — Foto: Tetiana Dzhafarova/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 12:30 UE e Ucrânia firmam acordo para produção de drones e apoio a refugiados A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou em Kiev um acordo com a Ucrânia para ampliar a produção de drones, fortalecendo a defesa ucraniana. A UE também prorrogou a proteção a refugiados ucranianos até 2028. A visita ocorre em meio a ataques russos que resultaram em nove mortes e a promessas de apoio militar e financeiro à Ucrânia, visando reforçar suas defesas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta quarta-feira, em Kiev, um “acordo sobre drones” com a Ucrânia para ampliar a produção conjunta da tecnologia usada no campo de batalha. A medida foi divulgada durante a visita da dirigente europeia ao país, no Dia da Soberania da Ucrânia, enquanto o governo de Volodimir Zelensky busca reforçar o apoio militar e financeiro de seus aliados. — Este acordo reunirá a engenhosidade ucraniana e a escala industrial da Europa — afirmou Von der Leyen. — Já temos capacidade tecnológica e industrial que pode ser mobilizada, além de locais de produção seguros que podem ajudar a ampliar a escala. Mas não temos o conhecimento e a experiência testados em combate que a Ucrânia adquiriu. A Ucrânia já assinou acordos semelhantes com alguns países da União Europeia e com nações do Golfo interessadas em aproveitar a experiência desenvolvida por Kiev ao longo da guerra contra a Rússia. Os acordos são adaptados a cada país, mas normalmente envolvem o fornecimento de projetos de tecnologia de drones pela Ucrânia em troca de royalties, investimentos e outros equipamentos militares. — Podemos trabalhar na produção conjunta, em fazer com que todos os componentes do sistema funcionem, e podemos dar às bases industriais de defesa de ambos o impulso necessário para aumentar de forma decisiva os investimentos e a produção — disse ela, acrescentando que serão anunciadas novas medidas para ajudar o país a preparar suas defesas aéreas para os meses mais frios, quando a Rússia costuma atacar sistemas de eletricidade e aquecimento. A União Europeia busca ampliar suas capacidades no setor de drones após uma série de incursões em países próximos à Ucrânia e à Rússia. A Europa é a principal apoiadora de Kiev na guerra e começou recentemente a liberar um empréstimo de € 90 bilhões (R$ 524 bilhões) para ajudar a Ucrânia a equipar suas tropas e cobrir déficits no orçamento. Uma parcela inicial de € 6 bilhões (R$ 34 bilhões) será destinada ao aumento da produção de drones. — O conhecimento que vocês adquiriram sobre como operar sistemas de drones e de combate a drones é realmente único — disse ela a Zelensky em discurso. — Precisamos aproveitar isso juntos, porque conhecemos as ameaças que a Europa enfrenta nessa área. ‘A maré está virando’ A visita da principal autoridade da UE ocorreu em um momento em que autoridades e analistas afirmam que ataques ucranianos com drones e mísseis estão atingindo alvos de alto perfil no interior da Rússia, interrompendo gravemente as linhas de abastecimento de Moscou e provocando escassez de combustível entre civis. Kiev também aperfeiçoou sua capacidade de derrubar drones russos de ataque. Em discurso, Zelensky afirmou que a Ucrânia atualmente produz 10 milhões de drones por ano e pretende dobrar esse volume, enquanto Von der Leyen escreveu nas redes sociais: “É um momento especial. A Ucrânia construiu um forte impulso militar. A maré está virando”. Autoridades de alto escalão do sudeste europeu também eram esperadas em Kiev para um encontro voltado à segurança do Mar Negro e da região. A reunião do ano passado, realizada na cidade portuária de Odessa, no sul do país, reafirmou o apoio à soberania e à integridade territorial da Ucrânia. As cerimônias ocorrem em um momento político delicado para Zelensky, que administra uma grande reformulação de seu governo. Ainda assim, o presidente ucraniano conquistou recentemente importantes promessas de novos apoios, incluindo do Grupo dos Sete países industrializados e da chamada Coalizão dos Dispostos. Washington também parecia prestes a aumentar a pressão econômica sobre Moscou depois que um projeto de lei de sanções contra a Rússia foi apresentado no Senado americano após a morte, no sábado, do senador Lindsey Graham, um dos principais apoiadores da proposta, que visa impor tarifas elevadas sobre produtos de países que continuarem comprando petróleo, gás e outras exportações russas. Enquanto isso, o presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, aliado de Moscou, participava da Cúpula do Sudeste Europeu em Kiev. A Sérvia, que depende quase totalmente da Rússia para seu fornecimento de energia, se recusou a aderir às sanções ocidentais contra Moscou, embora oficialmente apoie a integridade territorial da Ucrânia. Proteção a refugiados e novos ataques Também nesta quarta, países da UE concordaram em prorrogar por um ano, até março de 2028, a proteção concedida aos refugiados ucranianos no bloco. O mecanismo, criado pouco após o início da invasão russa em fevereiro de 2022, permite que mais de 4,4 milhões de ucranianos residam, trabalhem e tenham acesso a assistência nos países europeus. A maior parte dos refugiados vive na Alemanha, na Polônia e na República Tcheca. Apesar da renovação do status, a UE propôs que homens em idade militar que apresentem um primeiro pedido de proteção sejam excluídos do regime. Pela lei na Ucrânia, homens entre 23 e 60 anos não podem deixar o país, salvo em situações excepcionais. Enquanto isso, autoridades ucranianas afirmaram nesta quarta-feira que ao menos nove civis foram mortos e outros 13 ficaram feridos em ataques aéreos russos. Forças russas lançaram seis bombas planadoras que atingiram principalmente infraestruturas na região de Sumy, no norte da Ucrânia, matando três pessoas e ferindo sete. Outras três pessoas morreram e três ficaram feridas em Odessa. Na região de Chernihiv, também no norte do país, drones russos mataram duas pessoas e deixaram um jovem de 18 anos gravemente ferido, enquanto uma pessoa morreu e duas ficaram feridas na região de Zaporizhzhia, informaram autoridades. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter interceptado durante a noite 93 drones ucranianos sobre várias regiões russas, além da Crimeia, do Mar de Azov e do Mar Negro. Mais de quatro anos após o início da invasão russa, os dois lados prosseguem com os ataques diários, que provocam um número cada vez maior de vítimas civis. Segundo a ONU, junho de 2026 foi o mês mais violento para civis na Ucrânia desde abril de 2022. Em contrapartida, as forças de Kiev intensificaram nos últimos dias os bombardeios contra navios de carga no Mar de Azov, zona marítima importante para o transporte de produtos agrícolas russos. (Com AFP)
UE amplia apoio à Ucrânia com acordo sobre drones e prorroga proteção a refugiados, enquanto ataques russos deixam 9 mortos
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