A ata do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira) do Banco Central apontou nesta quarta-feira (2) que o nível de endividamento das famílias está em "patamar históricamente alto" e reforçou que o órgão prepara medidas no mercado de crédito.
Ontem, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, já havia dito que medidas são preparadas. A ata afirma que elas "visam promover o reconhecimento tempestivo dos riscos, o acúmulo gradual de capital e condições mais sustentáveis de oferta de crédito aos tomadores".
No evento que participou na última terça-feira (1º), Aquino afirmou que o cartão de crédito e o crédito não consignado devem ser as linhas-alvo das novas medidas, e que a transparência é um dos focos.
A ata do comitê diz que o endividamento "continua pressionando a condição financeira de famílias e empresas". "Níveis elevados de ativos problemáticos e de probabilidade de default seguem indicando que a materialização de risco no crédito às empresas e às famílias deve permanecer elevada", apontou o Comef.
O BC ainda afirma que "o comprometimento de renda atingiu o maior nível da série histórica". "Esse quadro segue sendo influenciado pela participação relevante de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias. Na visão do Comitê, o cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito", afirmou a ata.Os dados mais recentes do BC indicam que a parcela de empréstimos em atraso no crédito livre, que contempla o cartão, o crédito pessoal e o financiamento de veículos, chegou a 6,4% em julho, o maior nível da série histórica, desde 2011. Quando consideradas somente as pessoas físicas, a inadimplência atingiu 7,8% em julho.









