Senador teve 64 votos a favoráveis e apenas 3 contrários; indicação precisa ser confirmada pela Câmara, pela Presidência e TCU 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) conversa com senador Renan Calheiros, no plenário do Senado — Foto: Carlos Moura/Agência Senado Por 64 votos a 3, o plenário do Senado aprovou na terça-feira (1) a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o Tribunal de Contas da União (TCU). Ele ocupará a vaga de Bruno Dantas, que anunciou a renúncia ao cargo na segunda-feira (31) para se dedicar à iniciativa privada. A indicação ainda precisa ser confirmada pela Câmara dos Deputados, pela Presidência da República e pelo próprio TCU. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), aproveitou a semana de esforço concentrado no Congresso para agilizar a indicação do aliado. A tentativa anterior foi de emplacar Pacheco no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu indicar para o posto o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias. Contrariado, Alcolumbre articulou internamente contra Messias, que acabou rejeitado pelo plenário. A manobra abriu uma crise entre o presidente do Senado e Lula, que só foi superada recentemente, quando retomaram o diálogo. Advogado criminalista, Pacheco, de 49 anos, nasceu em Porto Velho (RO), mas cresceu em Passos, no sul de Minas Gerais. Foi conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e iniciou a carreira política em 2014, ao ser eleito deputado federal por Minas. Na Câmara, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ganhou projeção na análise das denúncias contra o então presidente Michel Temer (MDB). Pacheco tentou a Prefeitura de Belo Horizonte em 2016 e, dois anos depois, foi eleito senador. Chegou à presidência do Senado em 2021, com apoio decisivo de Alcolumbre, e comandou a Casa por dois biênios, até fevereiro de 2025. No período, tornou-se um dos principais interlocutores do Congresso com os governos Jair Bolsonaro e Lula. Nos agradecimentos após a votação, Pacheco reservou menção especial a Alcolumbre, autor da proposta que formalizou sua indicação. Disse que a iniciativa do presidente do Senado, somada ao apoio de líderes governistas e de oposição, aumentava sua responsabilidade diante da nova missão e prometeu ao aliado “gratidão eterna”. Pacheco também disse que o TCU nunca teve tanta relevância para o país quanto atualmente, sobretudo diante da escassez de recursos e da necessidade de garantir qualidade e fiscalização na aplicação do dinheiro público. Nos últimos meses, Lula tentou convencer Pacheco a disputar o governo de Minas. O presidente via o senador como o nome mais competitivo para organizar um palanque no segundo maior colégio eleitoral do país. Pacheco resistiu, porém, e em maio anunciou que não concorreria e que pretendia encerrar sua trajetória política ao fim do mandato. O TCU é composto por nove ministros. Pela Constituição, seis são escolhidos pelo Congresso e três pelo presidente da República, com aprovação do Senado. Entre as vagas presidenciais, duas devem ser preenchidas alternadamente por auditores do próprio tribunal e integrantes do Ministério Público junto ao órgão de controle. Como a cadeira de Dantas pertence à cota do Senado, a análise pelas demais instâncias deve ser protocolar. A expectativa é de que os deputados votem a indicação nesta quarta-feira (2).