Encontro reuniu 16 convidados, entre representantes do mercado financeiro, do setor industrial, de transportes, do agronegócio e da área da saúde 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Gabriel Galípolo — Foto: Agência O Globo O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou que esteja bravo com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em jantar que reuniu empresários e banqueiros na segunda-feira. Lula afirmou, segundo interlocutores, que não sabe de onde surgiram os rumores de atritos entre ele e Galípolo — o petista indicou ele à presidência do BC. Ao negar o desentendimento, disse que respeita o chefe do BC, apesar de divergir de algumas medidas. No jantar, Lula reforçou também que o BC é independente e que ele respeita a autonomia da autarquia monetária. O presidente da República não nega contrariedade com o alto patamar dos juros hoje — a Selic está em 14% ao ano —, seja em falas públicas e duras contra a taxa seja em encontros reservados no qual cobra auxiliares soluções para o problema. O jantar reuniu 16 convidados, entre representantes do mercado financeiro, do setor industrial, de transportes, do agronegócio e da área da saúde. Um dos principais temas à mesa foi o diagnóstico de que o patamar atual da taxa de juros prejudica a economia do país. Como O GLOBO mostrou, o ponto em comum no jantar foi a queixa sobre os juros. O diagnóstico dominante no mercado financeiro é que a Taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, é alta porque o governo não controla os gastos públicos. Em sua fala final, Lula repetiu o discurso de que tem responsabilidade fiscal à frente do país. Mas disse que a responsabilidade fiscal deve ser conjugada com a responsabilidade social. No evento, foram reforçadas a necessidade de ajuste fiscal para baixar os juros. De outro lado, Galípolo tem dito a interlocutores que tem uma boa relação com Lula, que transcende a questão profissional e entra no nível pessoal. Galípolo está em viagem internacional e não participou do jantar. O encontro na segunda-feira foi organizado pelo presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que foi escalado pelo petista para atuar como um porta-voz junto aos empresários durante a campanha eleitoral. T Também participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Bruno Moretti (Planejamento) e Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio), e os presidentes de bancos públicos Aloizio Mercadante, do BNDES; Tarciana Medeiros , do Banco do Brasil; e Carlos Vieira, da Caixa Econômica Federal.