0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Desmatamento em área do cerrado para plantio de soja — Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo/17-01-2024 Um cruzamento do CPF dos 20.653 candidatos registrados para as eleições gerais de 2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com as bases de autuações do Ibama e do ICMBio identificou 240 candidatos com pelo menos um auto de infração ambiental válido em seu nome. Juntos, esses autos somam R$ 213.516.574,62 em multas. Produzido pela Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema Nacional), o levantamento destaca que o maior número de candidatos autuados concorre ao cargo de deputado estadual: são 119. Esses candidatos concentram R$ 129,7 milhões em multas previstas nos autos. Na sequência, aparecem 83 candidatos a deputado federal, que somam 178 autos que totalizam R$ 67.387.231,59 em multas, e 12 concorrentes ao Senado, com 17 autuações, que somam R$ 3.436.800. A Ascema pontua que, se eleitos, esses candidatos terão poder direto sobre orçamento, normas e fiscalização dos próprios órgãos ambientais responsáveis pelas autuações. Na análise por partido, PL, MDB e Podemos lideram em número absoluto de candidatos autuados. O relatório chama atenção, porém, para a concentração dos maiores valores em duas siglas de menor expressão nacional. O Mobiliza, que tem apenas três candidatos com autuações, registra o maior valor total em multas: R$ 67,1 milhões. O Democracia Cristã (DC), com nove candidatos, aparece em segundo lugar, com R$ 54 milhões. O levantamento afirma que essas "legendas menos expressivas"— podem funcionar como "instrumentos de abrigo partidário para candidaturas pontuais com alto poder econômico e grande passivo individual". — Esses candidatos com multas milionárias e poder econômico consolidado acabam encontrando nessas siglas menores um atalho para a urna, já que não precisam passar pelo escrutínio interno dos grandes partidos. Na prática, é apenas a instrumentalização da estrutura partidária para converter influência econômica, muitas vezes gerada à margem da lei, em poder político, com o objetivo adicional de tentar asfixiar a capacidade estatal de controle que os puniu no passado — explica Wallace Lopes, autor do relatório. Ele acrescenta que a divulgação dos dados busca ampliar a transparência sobre o histórico ambiental dos candidatos. — A disponibilização destes dados cumpre uma função democrática de dar transparência ao histórico de autuações ambientais dos candidatos e fornece subsídios para que a imprensa, os órgãos de controle e os eleitores avaliem com mais detalhes quem terá o poder de ditar os rumos da proteção ambiental no país nos próximos anos — afirma. O autor do relatório chama atenção ainda para a forte concentração de candidatos autuados nas regiões Norte e Centro-Oeste. O Tocantins tem o maior número de candidatos autuado (20) e o Pará o maior volume de autos de infração (59). Lopes cita a região como "cinturão de expansão da fronteira agrícola, mineral e madeireira". Segundo o relatório essas são as regiões em que lideranças locais costumam emergir de atividades econômicas mais expostas à fiscalização ambiental. Em valor das multas pedidas pelas autuações, Goiás aparece em primeiro lugar com R$ 67,6 milhões, seguido por Roraima, com R$ 55,6 milhões, mesmo com menos candidatos autuados que outros estados, o que indica casos individuais de valor muito alto.